Enquanto o servidor de Cajamar sonha com a aposentadoria, tem gente jogando o dinheiro dos outros no ventilador; investigação mira rombo milionário em letras financeiras “duvidosas”
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Parece que o pessoal lá pros lados de São Paulo andou confundindo “Previdência” com “festa do pinhão”, mas sem o pinhão e com o dinheiro alheio. A Polícia Federal acordou cedo nesta quarta-feira (13) para deflagrar a Operação Off-Balance. O objetivo? Descobrir por que o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Cajamar (SP) está mais desequilibrado que o Athletico em dia de clássico na Arena.

A PF baixou em Cajamar, Boituva e na capital paulista com seis mandados de busca e apreensão. É aquele “viva a conta” que ninguém quer pagar: o juiz ainda mandou afastar servidor da função e bloqueou os bens da piazada, pra não correr o risco do dinheiro “criar pernas” de vez.

O tamanho da encrenca

A bronca é feia, tesão de grande. A investigação começou após um passarinho cantar que cerca de R$ 107 milhões foram aplicados em letras financeiras emitidas por dois bancos privados.

“É muito dinheiro para ficar assim, jogado às traças. Investigam se a gestão foi ‘temerária’ — o que, no bom português paranaense, significa que fizeram uma m… das grandes com o cofre público.”

O problema é que essas letras financeiras parecem ser aquele tipo de negócio que você compra achando que é filé, mas no fim é só nervo. A PF não deu o nome dos bois (ou melhor, dos bancos), mas o rastro de pólvora vem desde o ano passado, em operações que já miraram instituições ligadas ao Banco Master por rolos parecidos no Rio de Janeiro e no Amazonas.

Crítica com pimenta

Enquanto o servidor público trabalha no sol e na chuva, contando os dias para o descanso, a gestão do fundo parece estar brincando de cassino. É de cair os butiá do bolso ver que o dinheiro destinado ao futuro de quem deu o sangue pela cidade vira alvo de manobras tão “criativas” quanto perigosas.

Se a moda pega, daqui a pouco a aposentadoria do povo vai valer um vale-transporte e um aperto de mão. Por enquanto, a PF segue catando as provas para ver quem é que estava tentando dar o migué no futuro do funcionalismo.

Resta saber se, depois dessa limpa, vai sobrar algum troco de pão ou se o prejuízo já está consolidado. O jeito é esperar as próximas cenas dessa novela que, convenhamos, está mais enrolada que varal de pesca.

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