Em uma hora de bate-papo, presidente brasileiro cobra equilíbrio comercial, elogia o adubo russo e lamenta os conflitos globais direto com quem comanda um deles
Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil
Foto: Ricardo Stuckert

Nesta terça-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu passar cerca de uma hora no telefone conversando com o russo Vladimir Putin. Entre um assunto e outro, a prosa girou em torno daquele sonho antigo de ver o Brasil exportando mais para a Rússia. Afinal, a balança comercial atual está pendendo feio: o Brasil compra diesel e fertilizante “da com pau” dos russos, mas na hora de mandar os produtos tupiniquim de volta, o valor acaba parecendo “troco de pão”.

Além de tentar ajustar os ponteiros do comércio, a dupla falou em ampliar a cooperação nas áreas de energia, ciência, tecnologia e setor naval. Só que, como diplomacia de gabinete não é só sorrisinho e aperto de mão, Lula puxou o tema da geopolítica e declarou estar decepcionado com a falta de perna do Conselho de Segurança das Nações Unidas para resolver as guerras pelo mundo. O detalhe que não passou batido é que o desabafo foi feito diretamente para um dos maiores protagonistas das tretas globais recentes, envolvido em um conflito com a Ucrânia que já passa de três anos. Lula manteve o discurso de que “conversando a gente se entende” e lamentou as perdas de vidas de civis, enquanto tentava convencer o interlocutor pelo lado humanitário.

Aposta na ONU e o ‘feijão com arroz’ do BRICS

No meio da conversa, o chefe do Planalto aproveitou para reafirmar o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet para o posto de Secretária-Geral da ONU, na esperança de ver a entidade ganhando um rumo mais firme para arbitrar as crises internacionais.

Para encerrar a ligação sem criar clima azedo, os dois líderes concordaram no que interessa: o BRICS continua sendo o xodó da relação bilateral. Afinaram o discurso sobre a importância do multilateralismo e prometeram seguir trabalhando juntos nos fóruns mundiais. No fim das contas, ficou evidente que, entre discursos de paz e afagos políticos, o Brasil segue jogando parado para garantir que o adubo e o combustível russo continuem chegando sem sustos, evitando que o agronegócio nacional venha a “deitar na graxa”.

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