Sandro Alex distribui afago ao agro na Agroleite, mas discurseira não tira o poeirão da estrada
Entre promessas de milhões e elogios à ‘capital do leite’, pré-candidato do PSD pega carona no legado governamental para agradar cooperativas, enquanto o produtor espera a poeira baixar — literalmente

CASTRO (PR) — Se tem uma coisa que político gosta mais do que santinho em época de eleição, é de feira agropecuária cheia de gente e com cheiro de prosperidade. Nesta segunda-feira (3), foi a vez do candidato do PSD ao Governo do Estado, Sandro Alex, desembarcar na Agroleite, em Castro, cheio de salamaleques e elogios para os produtores dos Campos Gerais. Entre um gole de leite quente e um tapinha nas costas dos cooperados, o pré-candidato garantiu que “investir no agro é respeitar o homem do campo”.
Acomodado na sombra do pacote de bondades anunciado por Ratinho Junior, Sandro Alex aproveitou o microfone para puxar a sardinha — ou melhor, o balde de leite — para a gestão estadual. Afirmou com todas as letras que as políticas públicas dos últimos anos foram o fermento que fez o agronegócio paranaense virar esse “piá de prédio” portentoso, orgulho do quarto maior PIB do Brasil.
“A Agroleite mostra que o que era sonho hoje é referência. Castro e Carambeí têm a maior bacia leiteira do país, gerando emprego de penca”, discursou, sem economizar nos adjetivos. O candidato ainda elencou a lista de afagos ao setor: o Parque Tecnológico de Castro, o anúncio da futura graduação em Medicina Veterinária da UEPG (uma engenhosidade em parceria público-privada com a Castrolanda) e a promessa da tão sonhada pavimentação da Estrada do Socavão — obra que, segundo ele, finalmente saiu do papel para desatolar a vida da piazada que transporta a produção.
Promessa de milhões e afago nas cooperativas
Para não deixar nenhum “polaco” do agro de cara feia, Sandro Alex destacou a assinatura da carta de intenções de R$ 191,6 milhões via Paraná Competitivo para a Castrolanda. O montante servirá para construir uma fábrica de tortilhas, uma planta de ração animal e uma central de energia. Um investimento caprichado, sem dúvida — embora, na prática, a conta do esforço diário de acordar às quatro da manhã para tirar leite continue sendo do pequeno produtor lá na ponta.
“Nós estamos produzindo cada vez mais e não vamos deixar nenhuma cooperativa de lado”, pregou o candidato, defendendo o “legado de responsabilidade” do governo.
A articulação nos Campos Gerais mostra bem a tática da pré-campanha: colar o discurso nos números vistosos das cooperativas gigantes para colher os frutos nas urnas. Resta saber se o discurso bonito na feira vai se converter em asfalto sem buraco e socorro de fato quando o preço do litro do leite resolver despencar na prateleira do mercado. Afinal, de promessa em ano eleitoral, até bezerro desmamado já está careca de saber.



