Esquema com R$ 86,6 bilhões em mercadorias expõe corrupção que navegava com vento a favor na alfândega
Tânia Rêgo/Agência Brasil

A deflagração da Operação Mare Liberum nesta terça-feira (28) escancarou um velho problema com cara de novidade no Porto do Rio. Enquanto a burocracia costuma travar quem tenta trabalhar corretamente, um grupo investigado aparentemente navegava em mar aberto, com direito a facilidades bem seletivas.

A ação conjunta da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal apura um esquema que movimentou impressionantes R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre 2021 e 2026. No pacote, além de produtos importados, entravam também propinas milionárias que, ao que tudo indica, ajudavam a acelerar processos que para o cidadão comum costumam andar em ritmo de tartaruga cansada.

Segundo as investigações, importadores, despachantes e servidores públicos atuavam em sintonia fina para liberar cargas com divergências entre o que era declarado e o que realmente chegava. Traduzindo, pagava-se menos imposto e ganhava-se mais lucro. Uma matemática simples que só funciona quando alguém fecha os olhos no lugar certo.

Ao todo, são 45 mandados de busca e apreensão, além do afastamento de 25 servidores da Receita. Também houve bloqueio de bens e restrições profissionais. É a maior operação já realizada pela corregedoria do órgão, o que mostra que o problema não era pequeno nem recente.

Agora, a promessa é de manter a “fluidez do comércio”. Resta saber se essa fluidez vai continuar para todos ou se finalmente vai valer também para quem sempre jogou dentro das regras.

No fim, a operação revela algo já conhecido. No Brasil, quando o assunto é fiscalização, o rigor costuma ser proporcional ao tamanho da carteira de quem está sendo fiscalizado.

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