O piá do penta apareceu: Felipão baixa na Granja Comary pra dar um chacoalho na piazada do Ancelotti
Último professor a erguer o caneco do mundo há longos 24 anos, o gaúcho ganhou placa, abraço e avisou os convocados que o hexa só vem se pararem de tiriça e jogarem um pelo outro

Olha quem deu as caras para dar aquela espiada no treino e dar um gás nos piás da Seleção Brasileira nesta quinta-feira (28): ninguém menos que Luiz Felipe Scolari, o Felipão. O homem que comandou o penta lá no Japão — e bota tempo nisso, já se vão 24 anos daquele fuzuê — apareceu na Granja Comary, em Teresópolis, e foi recebido com toda a pompa que um veterano de respeito merece.
Hoje na função de coordenador técnico do Grêmio, o ex-treinador de 77 anos deu uma pausa no mate para ver o segundo treino da equipe e ganhou uma placa cheia de rapapés com os títulos da carreira. Mas como o mestre não perde a viagem, aproveitou para dar um intimato na piazada que vai tentar o hexa. Larga a tiriça e escuta o mestre:
“Como é bom ser campeão do mundo, e vocês têm toda essa possibilidade. É difícil, se fechem entre vocês. Vocês foram escolhidos e fazem parte de uma elite. E essa elite tem que saber: ‘eu jogo pelo outro, eu faço pelo outro’”, mandou o Felipão, sem meias palavras.
Amizade antiga e puxão de orelha com carinho
O elenco do técnico Carlo Ancelotti tem alguns velhos conhecidos do gaúcho. Ele já deu linha para os piás Igor Thiago e Danilo Santos na base, comandou o goleiro Weverton no título do Brasileirão e, claro, o Neymar na Copa de 2014 — aquela que a gente prefere nem lembrar o final para não azedar o humor.
A vinda de Felipão também tem o dedo da camaradagem. Ele e Ancelotti são parceiros de longa data, desde a época em que o italiano assumiu o Chelsea logo após o brasileiro turrar por lá. Felipão é tão parça que já tinha vindo dar um abraço no italiano na apresentação dele na Seleção e na primeira convocação.
Para a piazada aceitar o comando do gringo sem chiar, Scolari deu a letra de como funciona a engrenagem: “Vocês têm um cara que irá comandar vocês e que conhece de futebol. Portanto, aceitem, dialoguem, conversem. Quero que vocês ganhem, porque quem ganha é o Brasil”.
Um currículo de respeito (e com direito a título até no Criciúma)
Se tem alguém que tem estofo para cobrar essa doação, é esse vivente. Além de ter feito o Brasil inteiro gritar campeão em 2002, o homem levou Portugal até a final da Eurocopa de 2004 e faturou a Copa das Confederações de 2013 por aqui.
Nos clubes, o currículo do homem é mais comprido que fila de banco em dia de pagamento: duas Libertadores (Grêmio e Palmeiras), dois Brasileirões e quatro Copas do Brasil — conseguindo a façanha de erguer essa taça até com o Criciúma lá em 1991. Se com esse retrospecto a piazada não correr o dobro no próximo jogo, aí é de cair os butiá do bolso.



