Com a inflação mais salgada que lambari frito, analistas cansam de ser otimistas e avisam que o refresco no bolso vai demorar a chegar
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O paranaense já está acostumado com o tempo louco — aquele casaco que você tira e bota três vezes no mesmo dia —, mas a economia brasileira resolveu dar um “baque” ainda maior no cidadão. Nesta segunda-feira (16), o Boletim Focus, espécie de bola de cristal dos engravatados do mercado financeiro, provou que o otimismo azedou de vez. Pela segunda semana seguida, os analistas aumentaram a projeção da Taxa Selic para o fim de 2026, que saltou de 13,5% para singelos 13,75% ao ano.

Para quem achou que o Banco Central ia dar uma de “gente fina” e aliviar o crédito, o recado é claro: tire o cavalinho da chuva. Na reunião do Copom desta semana, a expectativa é que a taxa se mantenha em confortáveis (para eles) 14,5% ao ano. A desculpa da vez — além da tradicional choradeira do mercado — é a tensão no Oriente Médio, que encareceu o combustível e a comida, transformando o supermercado em um verdadeiro filme de terror. O sonho do crédito barato e do consumo pós-pandemia ficou ali, “lá se vão os dezoito”.

O resumo da ópera dos juros (segundo o Focus):

  • 2026: 13,75% ao ano (segura o bolso)

  • 2027: 12% ao ano (ainda salgado)

  • 2028: 10,25% ao ano (começa a clarear)

  • 2029: 10% ao ano (lá no horizonte)

Inflação “estabanada” estoura o teto da meta

Se o preço dos juros assusta, a inflação oficial (IPCA) resolveu “fazer uma jacuzada” e estourar o teto da meta estabelecida pelo governo. Pela décima quarta semana seguida, a projeção para este ano subiu, alcançando 5,3% — bem acima do limite máximo de tolerância, que é de 4,5%. Em maio, o preço dos alimentos deu aquele soco no estômago do trabalhador, empurrando o IPCA acumulado em 12 meses para 4,72%.

Comprar o pãozinho e a carne virou esporte de elite. Enquanto isso, o PIB (Produto Interno Bruto) tenta se salvar como pode. A estimativa de crescimento para este ano subiu de 1,91% para 1,96%. É aquela reação que o paranaense olha e diz: “É… até que não tá tão pior”. No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1%, vindo de um 2025 que surfou na onda da agropecuária. Mas com o dólar insistindo em orbitar a casa dos R$ 5,20 até o fim do ano, planejar as férias ou trocar de carro vai exigir muito mais do que paciência; vai precisar de um milagre.

Para o cidadão comum, que só queria financiar um terreno ou pagar o cartão sem infartar, o cenário atual é um prato cheio de incertezas. Enquanto o Copom decide o futuro da nação entre um cafezinho e outro na terça e na quarta-feira, resta ao brasileiro aceitar que o dinheiro vai continuar curto e o crédito, uma fortuna. “Daí não tem base”, o jeito é chorar as pitangas e torcer para que o Focus de semana que vem venha menos assustador.

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