Free flow virou “free multa”: governo recua e suspende 3,4 milhões de penalidades
Sistema que era pra ser moderno acabou virando dor de cabeça pro motorista, que agora ganha prazo extra pra não sair no prejuízo

O tal do pedágio sem cancela, que prometia tecnologia de primeiro mundo, acabou virando um clássico bem brasileiro: confusão, multa e motorista perdido sem saber se paga, como paga ou pra quem paga. Agora, depois de 3,4 milhões de multas voando mais que caminhão na descida, o Governo Federal resolveu puxar o freio de mão e suspender as penalidades.
A medida foi comemorada pelo deputado Arilson Chiorato, que já vinha batendo na tecla de que o sistema, do jeito que estava, mais atrapalhava do que ajudava. E convenhamos, piá, não era difícil perceber. O tal do free flow era pra cobrar pelo quanto você anda, mas no Paraná virou praticamente “andou, pagou cheio e ainda corre o risco de levar multa”.
A ideia original até que era bonita: sem cancela, sem fila, tudo automático. Só esqueceram de avisar direito o povo como funcionava. Resultado: motorista passando tranquilo achando que tava tudo certo e, dias depois, surpresa na forma de multa. Daquelas que fazem o cidadão coçar a cabeça e soltar um “mas como assim?”.
Agora, com a decisão do Contran, o pessoal ganhou até 200 dias pra regularizar a situação sem multa e sem pontos na carteira. É tipo aquele prazo extra que o professor dá depois que vê que metade da sala foi mal na prova. Um alívio, mas que também escancara que o sistema não tava redondo, não.
O deputado ainda criticou o modelo adotado no Paraná, dizendo que além de não seguir a lógica proporcional, ainda reduziu atendimento e emprego. Ou seja, menos gente trabalhando e mais gente sendo multada. Combo complicado de defender.
E tem mais: segundo ele, o contrato previa estudos antes de sair implantando tudo, mas parece que passaram o carro na frente dos bois. Agora o prejuízo caiu no colo de quem só queria usar a estrada em paz.
No fim das contas, a suspensão resolve o susto imediato, mas não arruma a bagunça inteira. Porque, como diria o paranaense raiz, não adianta pintar a cerca se o portão continua aberto.



