Em turnê pela Europa, o presidente brasileiro critica o “poder de veto” imaginário de Donald Trump e sugere que o líder sul-africano entre na reunião das maiores economias nem que seja pela porta dos fundos
Foto: Ricardo Stuckert

Se você achava que as reuniões de condomínio eram tensas, é porque ainda não viu o clima para o próximo encontro do G20. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, direto de Hanôver, na Alemanha, resolveu assumir o papel de “coach de diplomacia ousada”. O alvo? A tentativa de Donald Trump de barrar a entrada da África do Sul na festa das potências mundiais, que acontece em novembro, nos EUA.

Lula, que está em um giro europeu distribuindo apertos de mão, não gostou nada de saber que Trump quer dar o “gelo” em Cyril Ramaphosa. O motivo? Uma mistura de falsas acusações sobre reforma agrária e um suposto “genocídio” que só existe no feed das redes sociais do republicano.

“Vai lá e brilha, Ramaphosa”

Em entrevista após se reunir com o chanceler alemão Friedrich Merz, Lula deu o conselho que todo amigo dá antes de uma festa onde o ex vai estar: “Se eu fosse você, eu ia”. Segundo o brasileiro, os EUA não são donos da bola e não podem desconvidar um membro fundador só porque o anfitrião acordou com o pé esquerdo.

“Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não”, desafiou Lula, com aquela curiosidade de quem quer ver o “fogo no parquinho” geopolítico.

O efeito dominó do cancelamento

Com o sarcasmo de quem já viu muitas crises econômicas nascerem e morrerem, Lula lembrou que o G20 surgiu para consertar a bagunça que os próprios americanos fizeram em 2008. Para ele, se o grupo começar a aceitar o “cancelamento” de membros hoje, amanhã o alvo pode ser qualquer um.

“Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil”, alertou, em um tom que mistura profecia com deboche. Ele ainda fez questão de cutucar o “Conselho da Paz” de Trump, deixando claro que o G20 ainda é um fórum multilateral e não um fã-clube privado da Casa Branca.

Check-in na Europa e volta para casa

Enquanto incentiva a rebeldia diplomática de Ramaphosa, Lula segue sua agenda de viagens. Já passou pela Espanha, está na Alemanha e ainda vai tomar um vinho em Portugal antes de voltar para Brasília. Pelo visto, a ideia é garantir que, até novembro, o G20 continue tendo 20 membros — e não apenas os que passaram pelo filtro de aprovação do “The Apprentice” internacional.

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