Foz do Iguaçu vira ringue global: mais de 400 boxeadores desembarcam para trocar gentilezas com luvas
Evento reúne atletas de 50 países, promete recordes, nocautes e, claro, aquele diplomático intercâmbio cultural à base de socos bem-intencionados

Foz do Iguaçu, famosa por suas cataratas e pela tríplice fronteira, agora também pode incluir no currículo o nobre título de “capital mundial do tabefe esportivo”. Mais de 400 boxeadores, vindos de 50 países, decidiram que abril era um ótimo mês para resolver diferenças no ringue, tudo sob o olhar atento da Federação Internacional (World Boxing), que jura que é esporte, não terapia coletiva.
A etapa de abertura da Copa do Mundo de Boxe começou na segunda-feira (20) e segue até o dia 26 no Rafain Palace Hotel & Convention Centre, um local onde, normalmente, as pessoas vão para convenções… e não para trocar socos regulamentados. Segundo a organização, este é o maior número de competidores da história do torneio, o que significa mais gente cansada, mais gelo nas bolsas e mais histórias para contar (ou esquecer).
Pelo segundo ano consecutivo, Foz recebe a elite do boxe internacional, provando que, se depender da cidade, hospitalidade e pancadaria podem, sim, coexistir em perfeita harmonia. As lutas começam às 11h e às 14h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo no YouTube da Confederação Brasileira de Boxe, porque nada como assistir a um bom cruzado enquanto se almoça.
O Brasil entrou na disputa com 16 atletas e já viu alguns sobreviverem ao primeiro round, esportivamente falando, claro. O destaque vai para Isaías Ribeiro Filho, o “Samurai”, que derrotou o cazaque Daulet Tulemissov por decisão unânime. Samurai volta ao ringue na quinta-feira (23) para enfrentar o armênio Narek Manasyan, numa luta que promete mais tensão do que fila de aeroporto em feriado.
Outro que também saiu distribuindo eficiência foi o baiano Kaian Reis, que venceu o tcheco Kelvin Soquessa por 4 a 1 e agora encara o venezuelano Lisandro Tejada. Já a paulista Bárbara Santos, a Bynha, teve a rara experiência de avançar sem suar: sua adversária, a norte-americana Naomi Graham, foi desclassificada por estar acima do peso — um golpe duro, especialmente para a balança.
O regulamento segue aquele clássico conceito revolucionário do esporte: ganha quem bate melhor (ou apanha menos). Os atletas avançam por vitórias diretas e acumulam pontos no ranking mundial. As semifinais acontecem na sexta (24) e as finais no sábado (25), quando os campeões garantem 150 pontos e, possivelmente, alguns hematomas de lembrança.
Na edição passada, o Brasil ficou em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás da Polônia, o que claramente não foi esquecido, porque, no boxe, memória é curta, mas revanche é longa.
Depois de Foz, a Copa do Mundo segue para Guiyang, na China, em junho, e termina em Tashkent, no Uzbequistão, entre novembro e dezembro. Ou seja, ainda há muito mundo para ser percorrido… e muito nariz para ser devidamente testado.
Enquanto isso, em Foz do Iguaçu, segue o espetáculo: um evento onde o espírito esportivo reina soberano, desde que ninguém baixe a guarda.



