Investigação em Milão expõe suposto esquema com jogadores da Série A, celebridades e até Mykonos no roteiro — porque aparentemente o calendário do futebol não se limita aos 90 minutos
Foto: Alessio Morgese/NurPhoto via Getty Images

O futebol italiano descobriu, mais uma vez, que a linha entre “vida noturna agitada” e “investigação criminal internacional” pode ser mais fina que uma defesa em bola parada. A promotoria de Milão abriu um inquérito que já tem tudo: luxo, festas privadas, suspeitas de exploração sexual e até o famoso óxido nitroso — conhecido popularmente como “gás do riso”, porque nada combina mais com investigação séria do que euforia química.

Segundo o jornal Gazzetta dello Sport, cerca de 50 jogadores da Serie A estariam ligados ao esquema, incluindo atletas de gigantes como AC Milan e Inter de Milão. Um número que transforma “grupo de amigos” em praticamente uma convocação paralela não oficial.

O roteiro: Milão, Mykonos e zero intenção de discrição

As festas, descritas como “pacotes de entretenimento premium”, aconteciam em hotéis e casas noturnas na Itália e também na badalada Mykonos, na Grécia — porque se é para viver intensamente, que seja com passagem internacional incluída.

A organização seria operada por um casal que, com nomes dignos de novela italiana, foi colocado em prisão domiciliar: Emanuele Buttini e Deborah Ronchi. Ambos são investigados por organização de serviços sexuais e lavagem de dinheiro, o que, convenhamos, não entra exatamente no currículo típico de “empresário do entretenimento”.

Celebridades, Fórmula 1 e o algoritmo da suspeita

Como todo bom escândalo moderno, este também ganhou alcance multiprofissional. A investigação aponta possíveis participações de celebridades, pilotos de Fórmula 1 e empresários. Ou seja, o tipo de lista que começa com “pessoas influentes” e termina com “ninguém quer aparecer no relatório final”.

Um detalhe curioso (ou comprometedor, dependendo do ponto de vista): alguns atletas teriam seguido a agência no Instagram. O algoritmo, como sempre, entregando mais do que deveria.

O detalhe que atravessa fronteiras

Em um dos trechos interceptados por escutas, surge uma frase que chamou atenção dos investigadores: “Vou mandar a brasileira para ele.” Uma linha curta, mas suficiente para transformar qualquer relatório em algo que mistura crime, diplomacia involuntária e desconforto internacional.

Pandemia, festa e zero pausa operacional

A empresa investigada teria começado em 2019 e, segundo relatos, seguiu promovendo eventos até durante a pandemia da Covid-19 — porque enquanto o mundo aprendia a lavar as mãos, alguns já dominavam a arte de ignorar restrições sanitárias.

Uma testemunha chegou a mencionar a existência de uma boate clandestina na sede do negócio, funcionando mesmo durante o confinamento. Um nível de persistência que, em qualquer outro contexto, talvez fosse admirado.

Entre o legal e o ilegal, a linha é (muito) clara

A investigação aponta ainda que mulheres eram escolhidas por participantes e recebiam parte dos valores pagos, com relatos de exploração e coerção envolvendo mais de 100 vítimas de diferentes nacionalidades.

O uso do “gás do riso” nas festas adiciona um toque quase cinematográfico ao caso — substância que, segundo apurações, teria sido usada para gerar euforia e dificultar detecções em exames antidoping. Porque, claro, quando o problema é grande, sempre há alguém tentando torná-lo “indetectável”.

Na Itália, assim como no Brasil, a prostituição voluntária não é crime — mas a exploração e organização por terceiros seguem rigidamente ilegais. O que, neste caso, parece ter sido exatamente o ponto central da investigação.

Apito final (por enquanto)

O caso ainda está em andamento, mas já garantiu uma certeza: o futebol europeu pode até tentar manter foco dentro de campo, mas fora dele continua sendo um universo paralelo onde nem VAR dá conta de revisar tudo.

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