A batata tá assando (literalmente): Prévia da inflação dá uma maneirada, mas enche o carrinho pra ver se o teu salário não vira fumaça!
IPCA-15 fecha maio em 0,62% e o IBGE jura que deu uma aliviada em relação a abril; o problema é que a batata-inglesa deu uma de louca e subiu mais de 26%, provando que o paranaense vai ter que chorar na colônia pra pagar o almoço de domingo

Curitiba — Sabe aquele papo de “podia ser pior”? É bem essa a desculpa que o IBGE achou pra acalmar o vivente nesta quarta-feira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é a prévia da inflação, fechou o mês de maio em 0,62%. Se você olhar pro mês de abril, que estava em surreais 0,89%, parece até que as coisas deram uma trégua. Mas tire o cavalinho da chuva, bicho! No acumulado dos últimos 12 meses, o fumo já passa de 4,64%. Ou seja: o teu dinheiro continua valendo menos que uma nota de três pilas.
Se o paranaense achou que ia sobrar um eberê no fim do mês pra fazer aquele churrasco de costela, caiu do cavalo. O grupo que mais castigou o bolso do trabalhador foi justamente o de alimentação e bebidas, que meteu uma alta de 1,38%.
A batata deu uma de jaguara e o tomate foi atrás
Vá ao mercado e tente não ficar resmungando pelos cantos. O IBGE pegou os preços entre abril e maio e revelou que a batata-inglesa subiu absurdos 26,29%. Isso mesmo, não é erro de digitação, não! A batata subiu mais que chuchu na cerca. O tomate foi no embalo e encareceu 12,97%, e até o leite longa vida resolveu dar uma rasteira no consumidor com alta de 6,07%. Pra não dizer que tudo é desgraça, a maçã e o café moído deram um refresco e caíram um tiquinho de nada, mas só serve pra remediar o tombo.
Na parte da habitação (alta de 1,03%), a Copel e as outras companhias de energia deram aquele “tapa na cara” básico. A luz subiu 2,16% porque resolveram acionar a tal da bandeira tarifária amarela. Traduzindo para o bom paranaense: ligou o chuveiro elétrico pra tomar aquele banho demorado no frio, já começa a rezar pra não enfiar a carteira nas brenhas. É um adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh só pra largar mão de ser trouxa.
E na farmácia? O remédio também subiu (1,25%), cortesia daquele reajuste de 3,81% que autorizaram em abril. Remédio e higiene pessoal subiram tanto que é melhor o peão nem ficar doente pra não ter que escolher entre comprar o xarope ou o quilo do feijão.
O único milagre: andar de carro e de ônibus ficou mais em conta (por enquanto)
A única coisa que deu uma maneirada — e que fez o índice geral não explodir de vez — foram os transportes (-0,33%). O preço dos combustíveis resolveu dar uma freada de -1,47%, com o etanol caindo 2,73% e a gasolina baixando 1,32%. Limparam o para-brisa da humilhação, pelo menos um pouco.
Até a passagem de ônibus urbano deu um alívio de 0,56% na média nacional. Em Curitiba, a queda foi de 1,46%, graças ao prefeito que resolveu dar uma colher de chá com tarifas reduzidas ou gratuidades em feriados e domingos. Pelo menos pra passear no parque no domingo de graça a piazada tem direito, porque viajar de avião virou coisa de patrão: a passagem aérea subiu 3,25%.
Resumo do B.O. Econômico:
O que é: IPCA-15 de maio ficou em 0,62% (acumulado de 4,64% em um ano).
Quem é o vilão: A batata, o tomate, a conta de luz e os remédios.
Quem salvou o dia: O preço do combustível na bomba (milagre!).
Quem foi pesquisado: Famílias de 1 a 40 salários mínimos de várias capitais, incluindo a nossa República de Curitiba.
No fim das contas, a inflação deu aquela desacelerada de mentirinha, mas o povo continua “coçando o quengo” na frente da gôndola do mercado, pensando se leva o tomate ou se guarda o dinheiro pra pagar a conta de luz. Fica esperto, piá, que se bobear, até o ar vai começar a vir com bandeira amarela!



