Com hormônio penetra em carga, gigantes da carne bovina levam gancho preventivo; mas nem tudo é choro e outras três plantas parana… quer dizer, brasileiras, voltaram a ser liberadas
Marcello Casal JrAgência Brasil

Olhe lá se os chinas não resolveram encasquetar logo com o nosso churrasco. A China deu um baita de um “tobaço” — vulgo, uma suspensão temporária — em três frigoríficos brasileiros após as autoridades sanitárias de lá toparem com algumas irregularidades nas cargas de carne bovina. É aquele ditado: quem procura, acha; e os fiscais de Pequim acharam o que não deviam.

A bronca sobrou para a unidade da JBS em Pontes e Lacerda (MT), a planta da PrimaFoods em Araguari (MG) e o frigorífico da Frialto em Matupá (MT). Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a medida é preventiva e temporária, do tipo “fiquem aí no cantinho pensando no que vocês fizeram” enquanto as empresas correm para rastrear a origem das cargas e corrigir as traquitanas apontadas.

O bendito do hormônio e o plano B

O nó da questão (ou o “bolicho” que armou a confusão) foi explicado pela Frialto. Os chineses, que não são bobos nem nada, pegaram a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas. Aí azedou o piá de prédio.

Para não ficar com a carne mofando no pátio, a companhia agiu rápido:

  • Reduziu a produção em Matupá em 40%.

  • Desviou o gado para outros rumos. Se a China não quer, tem quem queira: Estados Unidos, México, União Europeia e os países árabes que lutem.

A Frialto jurou de pé junto que já começou uma investigação técnica e espera voltar a vender para os orientais antes do ciclo de 2027. Até porque, convenhamos, o Brasil já estava quase batendo o teto da cota de exportação para 2026 mesmo. No segundo semestre o ritmo ia diminuir de qualquer jeito, então é só “fazer de conta” que foi planejado.

A Abiec, por sua vez, defendeu o peixe (ou melhor, o boi), afirmando que o Brasil tem um dos sistemas sanitários mais rigorosos do mundo, com o Serviço de Inspeção Federal (SIF) de olho em tudo. O Ministério da Agricultura e a Embaixada da China preferiram o silêncio e não falaram nenhuma “asneira” (nem qualquer outra coisa) sobre o assunto.

Chora num canto, comemora no outro

Mas como a vida é um eterno “leva e traz”, a semana não foi só de choro. No mesmo momento em que três plantas levaram um gancho, outras três que estavam na geladeira desde março de 2025 foram liberadas para voltar a faturar em yuan.

As unidades da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Mart em Presidente Prudente (SP) lavaram a alma e foram reabilitadas. A Abiec comemorou a volta por cima, dizendo que isso só mostra que, apesar dos pesares, os chineses ainda confiam no nosso churrasco.

No fim das contas, o Brasil tem mais de 100 frigoríficos autorizados a mandar carne para o outro lado do mundo. Se três deram uma balançada, os outros que tratem de trabalhar direito para não perder o principal cliente da firma.

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