Senado dá rasteira histórica e barra indicado de Lula ao STF
Rejeição inédita desde 1894 escancara crise entre governo e Congresso e deixa vaga aberta no Supremo

Deu ruim em Brasília, e não foi pouco, piá. O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em votação secreta, foram 42 votos contra e 34 a favor, quando o mínimo necessário era 41. Faltou voto e sobrou recado político.
A decisão não é só mais uma derrota comum, não. É daquelas que entram pra história. Foi a primeira vez, desde 1894, que o Senado barrou um indicado de presidente da República para o STF. Ou seja, nem nos momentos mais tensos recentes aconteceu algo assim.
Antes do tombo no plenário, Messias até passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas já no sufoco: 16 votos a 11, depois de quase oito horas de sabatina. O placar apertado já dava aquele cheiro de problema no ar.
Nos bastidores, o clima era de guerra fria com cara de briga aberta. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, jogou pesado contra a indicação. Ele defendia outro nome para o Supremo e, segundo aliados, trabalhou voto a voto para derrubar Messias. Resultado: mostrou força e deixou claro que, sem negociação, o governo não passa fácil, não.
Mesmo com esforço do Planalto, que tentou agradar parlamentares com cargos, emendas e articulações de última hora, não deu. Messias chegou a conversar com quase todos os senadores, reforçou ser evangélico, falou em equilíbrio entre os poderes, tentou acalmar os ânimos… mas não colou.
A rejeição acontece num cenário em que o STF vem sendo alvo constante de críticas por parte de parlamentares, principalmente da oposição, que acusa a Corte de se meter demais onde não é chamada. A votação acabou virando um recado indireto também ao Judiciário.
Pra completar o pacote, o momento político não ajuda em nada. Com eleições se aproximando, a direita vem ganhando força e aproveitou o embalo pra endurecer o jogo contra o governo. Teve senador admitindo sem rodeio que queria segurar a vaga aberta pensando no cenário eleitoral. Aqui o cálculo político falou mais alto que qualquer currículo.
O resultado também enfraquece Lula dentro do Congresso. A derrota mostra que a base não tá tão firme quanto o governo gostaria e que o Senado virou um terreno mais complicado do que parecia.
Agora, com a vaga aberta no STF, o presidente terá que indicar outro nome e, desta vez, provavelmente vai precisar jogar mais no campo da negociação do que na confiança pessoal.
No fim das contas, ficou aquele clima típico de Brasília: discurso bonito pra fora, faca afiada por dentro e uma certeza bem brasileira… quando a política resolve brigar, ninguém sai ileso, né piá.



