Corte italiana barra extradição de ex-deputada por achar que o ministro do STF acumulou funções demais; para os juízes de lá, jogar no ataque e apitar o jogo não dá boa
Ex-deputada Carla Zambelli – Foto: Lula Marques/Agência Brasiil

A Justiça da Itália resolveu dar um “chega para lá” no pedido de extradição do Brasil e garantiu que a ex-deputada Carla Zambelli continue sua temporada europeia tomando um bom gelato, bem longe da Papuda. A Corte de Cassação de Roma — que é o “STF deles”, mas aparentemente com menos superpoderes — publicou a decisão completa que barrou a viagem de volta da paranaense de coração (e cidadã italiana de papel). O motivo? Os juízes de lá acharam que o ministro Alexandre de Moraes quis ser o dono da bola, o juiz e o bandeirinha da partida.

Zambelli, que pegou uma “tunda” de 10 anos de prisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado por causa daquela invasão hacker nos sistemas do CNJ, deu uma de “mandrake” e escafedeu-se para o exterior antes do martelo bater definitivo. Passou pelos Estados Unidos e foi parar na Itália. Chegou a ficar guardada no xilindró romano por um tempo, mas foi solta em maio.

Agora, a papelada da absolvição italiana revelou o tamanho do puxão de orelha transatlântico. Para os magistrados de Roma, a imparcialidade do processo brasileiro ficou “meio canhestra”. Eles apontaram uma “ilogicidade” (palavra chique para “coisa sem pé nem cabeça”) no fato de M.A.D.M. (o nosso Xandão) acumular as funções de vítima do crime, juiz que investiga, juiz que condena e juiz que manda prender. Na terra do macarrão, essa mania de fazer tudo sozinho não colou e foi vista como uma baita violação da independência judicial.

Mas calma que a ex-parlamentar não pode bobear e achar que está com o “boi na sombra” ainda. Embora tenha escapado dessa primeira encrenca, há um segundo pedido de extradição correndo nos tribunais italianos. Esse outro “rebu” é por conta daquela famosa corrida de 2022, quando Zambelli resolveu bater perna por São Paulo de revólver na mão atrás de um jornalista.

Procurados para dizer se o tombo na Europa doeu, o STF e o gabinete de Moraes ficaram bem quietinhos, no mais absoluto “mudo”, sem dar um pio sobre o veredito dos gringos.

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