Polícia Científica ganha ‘superolho’ e agora vê até pensamento de criminoso
Novo microscópio eletrônico do Paraná amplia imagens em até 100 mil vezes e promete achar rastro de malandro que achava que ia passar batido

Se você é daqueles que acha que cometeu o crime perfeito porque limpou bem a cena e não deixou nenhuma pista “desse tamanho” para trás, pode tirar o cavalinho da chuva. A Polícia Científica do Paraná (PCIPR) resolveu investir pesado na tecnologia e agora conta com o Microscópio Eletrônico de Varredura — carinhosamente apelidado de MEV para os íntimos. O aparelho é basicamente um “superolho” tecnológico que consegue enxergar partículas tão invisíveis que fazem a poeira debaixo do seu sofá parecer um paralelepípedo.
O diretor da Academia de Ciências Forenses da PCIPR, Alexandre Lara, explicou que o brinquedinho novo deixa aquele microscópio óptico tradicional — que você usava na aula de biologia do colégio para ver casca de cebola — parecendo uma lupa de detetive de desenho animado. Enquanto o método antigo usa luz comum, o MEV joga um feixe de elétrons para varrer a superfície da amostra. É a tecnologia dando uma tunda na malandragem.
Na prática, o equipamento consegue ampliar uma prova em até 100 mil vezes, deixando no chinelo os microscópios comuns que mal chegam a duas mil vezes. Ou seja, aquela sujeirinha que o criminoso achou que ninguém ia notar vira um outdoor na tela dos peritos. Dá para ver detalhes em escala microscópica e até nanométrica, seja lá o que isso signifique no laboratório, mas que para o suspeito significa “casa caiu”.
E não para por aí, porque o deboche científico vem completo: além de tirar uma foto em altíssima resolução da “bicheira” da pista deixada, o MEV ainda faz a fofoca química completa do material. Ele diz do que a partícula é feita, de onde veio e o que comeu no almoço. Com essa combinação de imagem de cinema e raio-X químico, o trabalho dos peritos paranaenses vai ficar mais fácil do que tomar doce de piazinho. A vida dos fora da lei no Paraná, que já não estava fácil, agora ficou de amargar.



