Jorge Messias fala em menos ativismo, mais transparência e até cita fé, num discurso que mistura teoria bonita e realidade que ainda não deu match
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Em Brasília, o roteiro foi daqueles que o brasileiro já conhece bem: discurso elegante, conceitos nobres e uma plateia que escuta pensando “tomara, né”. Durante sabatina na CCJ do Senado, o indicado ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, defendeu que a Corte precisa praticar algo quase revolucionário nos dias de hoje: autocontenção.

Sim, você leu certo. Segundo ele, o STF deve evitar se meter demais em temas que dividem a sociedade e deixar o tempo e o debate democrático fazerem o serviço. Traduzindo: menos protagonismo, mais calma. Um conceito bonito, quase poético… principalmente vindo de um tribunal que frequentemente vira personagem principal do noticiário.

Messias também falou em transparência, prestação de contas e autocrítica. Tudo aquilo que o cidadão médio escuta e já imagina um futuro onde decisões vêm com manual de instrução e legenda explicando “por que isso foi decidido”. Parece utopia? Talvez. Mas no discurso, funciona que é uma beleza.

O indicado ainda tentou equilibrar a balança entre fé e Constituição. Disse ser evangélico, “servo de Deus”, mas fez questão de reforçar que o Estado é laico. Ou seja, fé no coração, Constituição na mão e, em teoria, nenhuma mistura indevida. Na prática, o Brasil segue tentando entender como isso funciona sem dar curto-circuito.

Outro ponto defendido foi o tal “papel residual” do STF nas políticas públicas. Em outras palavras, o Supremo não deveria ser o protagonista da novela, mas só entrar quando o roteiro desanda. O problema é que, no Brasil, o roteiro vive desandando, e alguém sempre acaba tendo que assumir o papel principal.

Com 27 senadores inscritos para questionar e precisando de 41 votos para aprovação, Messias ainda tem um caminho pela frente. Mas já deixou claro o tom: nem ativismo demais, nem omissão total. Equilíbrio. A palavra mágica da política brasileira que todo mundo fala… e pouca gente consegue entregar.

No fim das contas, o discurso foi redondo, alinhado e cheio de boas intenções. Agora resta saber se, ao vestir a toga, a prática vai acompanhar a teoria ou se vai acontecer o clássico brasileiro: promessa de autocontenção que, na primeira crise, sai correndo pra resolver tudo.

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