Presidente reage a pedido de retirada de policial brasileiro dos Estados Unidos e sinaliza que o manual diplomático pode ganhar um capítulo chamado “olho por olho, carimbo por carimbo”
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu adotar um tom que mistura diplomacia com aquele clássico “se fizer aqui, a gente faz aí” após o governo de Donald Trump pedir a saída de um delegado da Polícia Federal do território americano. A resposta veio direta, sem rodeios e com zero paciência para sutilezas internacionais: se houve abuso, vem reciprocidade.

“Não tem conversa”, disse Lula, em declaração na Alemanha, aparentemente disposto a transformar a diplomacia em um jogo de espelhos — onde cada ação ganha uma versão remixada do outro lado da fronteira.

A crise, que poderia facilmente virar roteiro de série policial internacional, começou quando autoridades dos EUA decidiram que um delegado brasileiro teria ultrapassado limites ao tentar resolver questões fora dos canais formais. Em tradução livre: tentou “dar um jeitinho” em território onde o jeitinho não tem visto.

O caso que virou novela internacional

No centro da história está Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão. Após a sentença, ele decidiu que cumprir pena era opcional e mudou-se para os Estados Unidos, inaugurando a categoria “foragido com milhas internacionais”.

A tentativa de trazê-lo de volta envolveu cooperação entre Brasil e EUA — aquela parceria que funciona bem até alguém achar que pode acelerar o processo por conta própria. Resultado: o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA soltou uma nota digna de indireta diplomática com endereço certo, afirmando que nenhum estrangeiro pode “brincar” com o sistema de imigração americano.

Ramagem chegou a ser preso em Orlando, mas foi solto poucos dias depois, provando que, no xadrez geopolítico, nem sempre o xeque vira mate — às vezes vira só mais um capítulo confuso.

Diplomacia ou disputa de quem manda mais?

Lula, que já vinha defendendo respeito entre nações (com direito a críticas frequentes a interferências externas), deixou claro que não pretende engolir o episódio em silêncio. A palavra “ingerência” apareceu no discurso, acompanhada de “abuso de autoridade” — um combo clássico quando a temperatura diplomática sobe alguns graus.

Nos bastidores, a promessa de reciprocidade levanta a dúvida: estamos diante de uma estratégia calculada ou de um “não mexe comigo que eu mexo com você” versão relações exteriores?

Enquanto isso, a diplomacia internacional segue tentando lembrar que existe um manual para esse tipo de situação — embora, pelo visto, nem todo mundo esteja lendo até o final.

E assim, entre extradições, notas oficiais e possíveis trocas de “gentilezas”, Brasil e Estados Unidos adicionam mais um episódio à longa série “cooperação internacional: teoria versus prática”.

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