Deputados aprovam projeto que coloca o “arrancadão” de calhambiques rurais no mapa oficial do Estado; evento que começou na gambiarra do homem do campo agora ganha status de dar inveja a piloto de Fórmula 1

Se você achava que o Paraná só exportava soja, cooperativa gigante e sotaque com o “R” bem pronunciado, é porque nunca viu um jerico roncando alto no meio do barro. A Assembleia Legislativa provou que entende tudo de cultura raiz e aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (2), o Projeto de Lei nº 72/2026. A proposta, de autoria do deputado Gugu Bueno, coloca a Corrida de Jericos de Tupãssi direto no Calendário Oficial de Eventos do Paraná.

Para quem não é do Oeste e está mocado sem entender nada, o jerico não é o bichinho de quatro patas, não, guria! É aquele veículo artesanal, rústico até dizer chega, montado com o motor que sobrou de um trator velho, chassi de um Opala que já foi pro vinagre e a pura criatividade do homem do campo. É a engenharia da gambiarra levada ao nível profissional! E agora, com a bênção dos deputados, essa loucura toda virou patrimônio oficial. Chupa, chiqueza de Interlagos!

Do banhado para o tapete vermelho

A crítica que fica é aquela de sempre: precisou o deputado Gugu Bueno ir lá dar um rolê em Tupãssi no ano passado para os políticos descobrirem que o evento atrai uma multidão? O troço já está na 16ª edição, piá! Em dezembro do ano passado, o “Arrancadão” reuniu mais de 41 equipes e botou mais de 5 mil pessoas para tomar poeira na cara e comer espetinho.

Mas antes tarde do que nunca. O prefeito de Tupãssi, Cal Mariussi, que também é o manda-chuva da Amop, ficou faceiro que só. Ele sabe que entrar para o calendário oficial não é só para bonito, não:

“Nós solicitamos ao deputado Gugu Bueno para incluir a Corrida de Jericos no calendário oficial não apenas pela possibilidade de ampliar o acesso a recursos, mas principalmente para transformar um evento que hoje é regional em uma referência estadual.”

Em bom paranaense: agora vai entrar um “reco” de verba do Estado para deixar a festa ainda mais parrudona, movimentar os hotéis da região e fazer o comércio faturar um troco bom.

Categorias para nenhum “piazão” botar defeito

A competição é coisa séria e tem divisão para ninguém chorar as pitangas no fim da pista. Os pilotos — que precisam ter mais coragem do que juízo — se enfrentam em três categorias que parecem nome de prato de boteco:

  • Maçarico Agricultor: Pro pessoal da colônia que usa o bicho no eito todo dia.

  • Maçarico Livre: Para quem quis inventar moda na oficina.

  • Turbinado: Aí o bicho pega, o motor assobia e o jerico quase levanta voo no meio do ralo.

O banzé é tão feio que atrai competidores de várias cidades do Paraná e até os vizinhos do Paraguai vêm dar uma brizoiada e tentar levar o troféu. Agora, o projeto de lei segue para o gabinete do governador Ratinho Junior para ser sancionado. Se ele for “ligeiro”, assina logo e já garante o convite para dar uma volta de jerico na próxima edição. Só não vale amarelar e pedir para descer no meio do caminho!

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.