Projeto é apresentado com pompa e pressa na Câmara; discurso é de segurança, mas cidade já virou pista livre há tempos
Foto: Divulgação/CMC

Na manhã desta segunda-feira (27), minutos antes da sessão ordinária, aquele clássico horário em que decisões importantes aparecem quase como “prévia do que vem por aí”, o prefeito Renato Silva (PL) fez o protocolo simbólico do projeto que pretende colocar ordem no trânsito dos ciclomotores, bicicletas elétricas e demais veículos autopropelidos.

A cena teve direito a coletiva na antessala do plenário, autoridades alinhadas e vereadores em peso — porque, aparentemente, nada une mais do que um tema que já está desorganizado há meses. Ao lado do prefeito, o chefe da Casa Civil, Carlos Xavier, e a presidente da Transitar, Laura Rossi Leite, reforçaram o tom institucional: agora vai.

O presidente da Câmara, Tiago Almeida (Republicanos), prometeu agilidade na votação, o que, traduzindo do “politiquês”, significa que o projeto deve andar mais rápido que muita bike elétrica por aí. Segundo ele, o foco é salvar vidas, especialmente diante do desfile diário de jovens sem capacete que já transformaram ciclovias, ruas e até calçadas em território livre.

O discurso oficial é bonito: debate amplo, segurança no trânsito e responsabilidade coletiva. Na prática, o projeto chega como uma tentativa de colocar regras num jogo que já vinha sendo jogado sem juiz, e com algumas faltas bem perigosas.

Entre as medidas, estão idade mínima de 16 anos, uso obrigatório de capacete, proibição de circular em calçadas e limite de velocidade de 20 km/h. Ou seja, o básico que muita gente já sabia, mas fingia que não era com ela. Agora, vira lei, e, quem sabe, realidade.

A Transitar garante que o objetivo não é sair multando, mas educar. Uma promessa que, convenhamos, costuma durar até o primeiro flagrante. A fiscalização contará com agentes e câmeras, o que indica que o “Big Brother do trânsito” também vai pedalar nessa história.

No fim das contas, o projeto chega como um freio tardio em um trânsito que já vinha descendo ladeira sem controle. Resta saber se vai funcionar ou se será apenas mais uma regra bonita no papel enquanto a cidade segue desviando, literalmente, do problema.

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