O caos erudito está de Volta: preparem os ouvidos

CURITIBA – Se você achou que o “Vão-livre” do MON serviria apenas para desfilar cachorros de raça que custam mais que o seu aluguel ou para tirar fotos conceituais fingindo que entende de arquitetura, prepare-se: a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) decidiu, mais uma vez, invadir o local. No próximo sábado (25), às 16h, acontece a segunda edição de 2026 da série Mostly Mozart — que, ironicamente, desta vez é “meio Mozart, meio o vizinho raivoso dele”.
O “Hit” do destino no vão do olho
Para quem acha que música clássica é sinônimo de dormir sentado em poltronas de veludo pagando meia-entrada com carteirinha vencida, o maestro Roberto Tibiriçá traz uma proposta mais… ventilada.
O programa abre com a abertura de A Flauta Mágica. Composta por Mozart em 1791 (quando ele já estava mais para lá do que para cá), a peça é aquela mistura clássica de “estou feliz, mas tem um drama maçônico aqui no meio”. São nove minutos de música que servem perfeitamente para você tentar identificar quem, na multidão, esqueceu de colocar o celular no silencioso.
Mas a cereja do bolo — ou o martelo no prego — é a Sinfonia nº 5 de Beethoven. Sim, aquela do “tchan-tchan-tchan-tchan”. Se você nunca ouviu isso, provavelmente viveu em uma caverna ou só consome hits de 15 segundos no TikTok. Escrita entre 1805 e 1808, a obra é o ápice da superação: Beethoven estava ficando surdo e mal-humorado, e decidiu descontar tudo na partitura. É a trilha sonora ideal para encarar a fila do buffet por quilo na segunda-feira.
Cultura para o povo (ou para quem estiver passando)
A ideia, segundo os organizadores, é “derrubar barreiras”. Ou seja: tirar os músicos do Teatro Guaíra — onde eles ficam protegidos do vento e da umidade — e colocá-los no clima imprevisível de Curitiba.
O diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, afirma que o projeto é democrático. De fato, é a única oportunidade do ano em que você pode ouvir um Steinway & Sons de milhões de reais enquanto alguém ao seu lado abre um pacote de salgadinho de cebola.
“Em 2025, foram mais de 6 mil pessoas. Em fevereiro deste ano, 1 mil. A meta é ver quanta gente a gente consegue reunir antes que alguém reclame do barulho ou que a chuva de Curitiba decida fazer o seu próprio solo de percussão.” (Interpretação livre da redação).
41 Anos de Persistência
A OSP completa 41 anos em 2026. Com mais de mil apresentações nas costas, a orquestra sobreviveu a trocas de governo, crises estéticas e, agora, ao desafio de tocar ao ar livre. Para ostentar um pouco, vale lembrar que eles compraram instrumentos novos. Sim, se você pagar impostos, tecnicamente aquela tecla do piano novo é um pouquinho sua. Vá lá conferir se estão cuidando bem dela.
SERVIÇO (Ou: Como fingir sofisticação de graça)
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O quê: Concerto Mostly Mozart (com participação especial de Beethoven, o intruso).
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Quando: Sábado, 25/04, às 16h (chegue cedo se quiser um lugar onde não pegue o reflexo do “Olho” na testa).
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Onde: Vão-livre do Museu Oscar Niemeyer.
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Quanto: Grátis. Repito: 0 reais. Não precisa de ingresso, basta ter ouvidos e paciência para o estacionamento do Centro Cívico.



