Presidentes ficaram três horas trancados no bem-bom da Casa Branca pra tentar resolver o enrosco das taxas do aço; Lula saiu de lá sem falar com a imprensa, mas Trump garantiu que a reunião foi “produtiva demais da conta” 
Foto: Ricardo Stuckert/PR

WASHINGTON – Pense num “fuzuê” diplomático que parou a capital americana nesta quinta-feira (7). O presidente Lula baixou na Casa Branca para um tête-à-tête com Donald Trump que durou mais que fila de banco em dia de pagamento. Foram três horas de conversa fiada e assuntos sérios, com direito a almoço e uma comitiva de ministros brasileiros que não via a hora de ver se o bife americano é melhor que o nosso.

O plano era que os dois atendessem os jornalistas ali mesmo no Salão Oval, mas, na hora do “vamos ver”, o cronograma deu um pinote. Lula preferiu deixar pra soltar o verbo mais tarde, lá na embaixada brasileira. Já o “seo” Trump, que não aguenta ver um celular dando sopa, correu pras redes sociais pra dizer que o brasileiro é um sujeito “muito dinâmico” e que o papo sobre comércio e tarifas rendeu que foi uma beleza.

O enrosco do aço e as picuinhas políticas

O clima não estava exatamente pra festa, já que desde o ano passado a relação entre os dois países está mais azeda que limão galego. Tudo por causa do tal do “tarifaço” que o Trump inventou de retomar, metendo 25% de taxa no aço e no alumínio brasileiro. O Brasil, que não é bobo nem nada, já tinha levado a queixa até pra OMC, porque ninguém gosta de levar lambada comercial de graça.

Além do comércio, o “bó” também envolveu críticas americanas à Suprema Corte brasileira e aos processos contra o ex-presidente Bolsonaro. Ou seja, um balaio de gato que exigia muita diplomacia e, quem sabe, um cafezinho forte pra não dar briga.

Acordo pra pegar “malandro” internacional

Mas nem tudo é espinho nessa roseira. Lula e Trump reforçaram aquele acordo esperto assinado no mês passado pra combater o tráfico de armas e drogas. A ideia é que as aduanas troquem figurinhas rapidinho pra saber quem é o remetente e o destinatário dos produtos “ilícitos”, cortando as asas do crime organizado antes que a mercadoria ganhe o trecho.

Quem foi pro “trecho” com o presidente?

Lula não foi sozinho pro território do Tio Sam. Levou um time de peso, incluindo:

  • Mauro Vieira (Relações Exteriores) pra segurar as pontas diplomáticas;

  • Dario Durigan (Fazenda) pra cuidar dos “pilas”;

  • Andrei Rodrigues (Diretor da PF) pra falar de segurança;

  • E mais uma penca de ministros pra garantir que nenhum detalhe passasse batido.

Agora, resta saber se esse “recuo parcial” das tarifas americanas vai virar um alívio de verdade ou se o Brasil vai ter que continuar jogando o jogo da reciprocidade. Por enquanto, o que se sabe é que novas reuniões vêm por aí e que o diálogo, pelo menos por ora, não está em curto-circuito. No fim das contas, como se diz lá no interior, “devagar se vai ao longe”, e Lula espera que esse dinamismo todo resulte em menos taxa e mais negócio.

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