Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil

Depois de uma breve temporada em liberdade — espécie de “teste grátis” do sistema judicial brasileiro —, Monique Medeiros da Costa e Silva voltou à programação original e se entregou à polícia nesta segunda-feira (20), na 34ª DP, em Bangu. A ré no caso da morte do menino Henry Borel retorna ao cárcere por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que aparentemente decidiu que o episódio anterior não era exatamente o final da série.

Da delegacia, Monique seguiu para o Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, onde passou pelos rituais de praxe — exame de corpo de delito e audiência de custódia — antes de retornar ao já conhecido endereço: a Penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó. Uma espécie de “check-in com reconhecimento facial”, já que o local não é novidade para a ré.

A reviravolta acontece poucos dias depois de sua soltura, concedida em março, quando a Justiça entendeu que ela havia sido prejudicada pelo adiamento do julgamento. O atraso ocorreu após a defesa de seu ex-companheiro, o ex-vereador Dr. Jairinho, abandonar o plenário — movimento estratégico que, ao que tudo indica, acabou rendendo um benefício temporário à co-ré.

Mas a liberdade durou menos que feriado prolongado. Na sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes determinou o retorno imediato de Monique à prisão, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), reforçado por manifestação do pai de Henry, Leniel Borel. No Brasil, decisões judiciais às vezes funcionam como boletos: podem até ser adiadas, mas uma hora chegam.

O caso, que remonta a março de 2021, continua sendo um dos mais brutais e perturbadores dos últimos anos. Henry, de apenas 4 anos, morreu após dar entrada em um hospital com a versão inicial de “queda da cama”. A perícia, porém, encontrou 23 lesões, incluindo laceração hepática — um nível de detalhe que costuma desmontar narrativas domésticas com certa facilidade.

Segundo as investigações, o menino sofria agressões frequentes, atribuídas ao padrasto, com suposto conhecimento da mãe. Ambos foram presos em abril de 2021 e respondem por homicídio — com agravantes suficientes para transformar qualquer tentativa de simplificação em um exercício de cinismo.

A defesa de Monique afirma que ela se entregou voluntariamente e segue confiante na absolvição, enquanto trabalha em novos recursos e até cogita acionar organismos internacionais por “violação de direitos”. No ritmo atual, não está descartado que o caso ganhe mais capítulos — possivelmente com novos giros narrativos dignos de um roteiro que insiste em confundir justiça com suspense.

O julgamento está previsto para 25 de maio. Até lá, o país acompanha mais um episódio em que a realidade parece competir com a ficção — e, com frequência desconcertante, vencer.

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