Primeira parcela começa a ser paga e promete injetar bilhões na economia — e evaporar na mesma velocidade nas contas do mês
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A antecipação do décimo terceiro do INSS começou nesta sexta-feira (24) e já colocou milhões de brasileiros naquele clássico estado de espírito: alegria momentânea seguida de planejamento desesperado para pagar tudo o que estava esperando esse dinheiro.

Ao todo, cerca de 23,3 milhões de beneficiários começam a receber agora, com prioridade para quem ganha até um salário mínimo. Os demais entram na fila a partir de maio, porque, como sempre, até o dinheiro tem fila no Brasil.

Com previsão de injetar R$ 78,2 bilhões na economia, o valor promete movimentar o país. Na prática, significa que o dinheiro faz um passeio relâmpago: entra na conta e, em questão de horas, já foi distribuído entre mercado, farmácia, conta de luz e aquele boleto que estava olhando torto há semanas.

O pagamento será feito em duas parcelas, estratégia que garante duas emoções distintas: a primeira de “ufa, chegou” e a segunda de “já acabou?”. Tudo devidamente organizado pelo número final do NIS, porque nada melhor do que um cronograma para organizar a ansiedade coletiva.

A antecipação, que já virou tradição nos últimos anos, começou lá atrás por causa da pandemia, mas foi ficando… provavelmente porque todo mundo gostou da ideia de receber antes — mesmo sabendo que isso só antecipa também o momento de gastar.

Para consultar o benefício, o segurado pode usar o aplicativo Meu INSS ou ligar no 135. E, como de costume, o aplicativo deve receber visitas mais frequentes do que rede social em dia de fofoca.

No fim das contas, o décimo terceiro antecipado cumpre seu papel: ajuda, alivia e dá aquela sensação de respiro. Só não avisa que o mês seguinte vem logo depois, com novos boletos e a mesma disposição de sempre para consumir o que ainda nem chegou.

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