Dívida “cai”, mas juros lembram quem manda na conta
Governo comemora recuo de R$ 200 bilhões, enquanto Selic segue empurrando a fatura para cima

A Dívida Pública Federal deu uma leve recuada em março e caiu para R$ 8,6 trilhões. Um alívio momentâneo que, na prática, parece mais aquele desconto no cartão enquanto os juros seguem correndo soltos no fundo da fatura.
Segundo o Tesouro Nacional, a queda de 2,34% foi puxada pelo forte vencimento de títulos atrelados à Selic. Traduzindo: o governo pagou mais do que pegou emprestado no mês. Só que a festa durou pouco, porque os próprios juros trataram de colocar quase R$ 93 bilhões de volta na conta.
Com a Selic ainda em 14,75% ao ano, a dívida funciona como uma esteira. Você até dá um passo para trás, mas logo vem a taxa básica e te empurra para frente de novo. Resultado: a projeção continua firme e forte rumo aos R$ 10 trilhões até 2026.
O chamado “colchão” da dívida, aquela reserva para emergências, também encolheu. Caiu de mais de R$ 1,1 trilhão para R$ 885 bilhões, cobrindo pouco mais de cinco meses de vencimentos. Em tempos de turbulência global, não chega a ser exatamente um travesseiro confortável.
Enquanto isso, investidores seguem de olho nos títulos ligados à Selic, que continuam atraentes justamente por causa dos juros elevados. Ou seja, o mesmo fator que ajuda a vender dívida é o que também torna mais caro sustentá-la.
No fim das contas, o governo até conseguiu aliviar o número no curto prazo, mas a lógica permanece intacta. A dívida até pode dar uma respirada de vez em quando, mas os juros garantem que ela nunca fique muito tempo fora do fôlego.



