Nem o vento “corredor” de 8°C e a neblina que cobriu o cartão-postal de Cascavel seguraram a piazada e os veteranos que trocaram as cobertas pelo esporte no Junho Branco

CASCAVEL – Olhar para a janela na manhã deste domingo (21) era de dar batedeira no coração de qualquer vivente. Com o termômetro marcando míseros 8°C, um vento gelado de “renguear cusco” e uma névoa que não deixava enxergar um palmo à frente do nariz, o cascavelense raiz tinha tudo para ficar em casa tomando um chimarrão debaixo das cobertas. Mas cerca de 300 atletas decidiram que o domingo seria de furdunça saudável e foram encarar a segunda edição da corrida Ser Feliz Sem Drogas Run.

O evento abriu oficialmente a Semana Municipal de Prevenção às Drogas e provou que, para vencer o vício e o sedentarismo, tem que ter muito sangue nos óio.

Correndo na neblina: Uma prova com “visão zero” e muita disposição

Os percursos de 5 km e 10 km ao redor do Lago Municipal viraram um verdadeiro teste de resistência. Tinha corredor que parecia que ia congelar no meio do caminho, mas a disposição daquela gente estava no talo. O cenário estava tão branquinho de neblina que parecia filme de mistério, mas a causa era nobre: mostrar que o esporte constrói o que a droga destrói.

O secretário municipal de Políticas sobre Drogas, Marcelo Silva, defendeu a tese de que dá para ser feliz sem nenhuma substância ilícita — e, aparentemente, até sem sentir os dedos dos pés no frio. Já Ezequiel Lima, diretor da Secretaria de Esporte e Lazer, reforçou que a corrida é o melhor “remédio” para quem quer sair do alcoolismo ou da dependência química e ter uma vida mais tesão.

Sobreviventes do termômetro: “Tinha vontade de participar da corrida e essa experiência de correr aqui no Lago, apesar do frio, foi muito boa”, contou a professora Rejane da Silva, que não se intimidou com o clima de Curitiba que baixou em Cascavel.

Cento e oitenta segundos de aquecimento (ou quase isso)

Em pouco mais de 18 minutos, o primeiro piá veloz cruzou a linha de chegada, mas a verdade é que todo mundo que saiu da cama naquele frio merecia um troféu — ou pelo menos um quentão (sem álcool, claro, para manter o foco do evento).

Para o professor Vinicius Pereira, o maior troféu foi dar um chega pra lá na preguiça. “É muito bom. As pessoas têm essa oportunidade de praticar esportes, conhecer novas pessoas e mudar de vida”, ressaltou o mestre, que com certeza gastou umas boas calorias só para se manter aquecido antes da largada.

O Junho Branco está só começando e promete blitze preventivas e ações educativas ao longo do mês. Se o pontapé inicial foi com esse frio e com toda essa energia, a campanha tem tudo para ser um sucesso — só falta o sol colaborar um pouquinho mais nos próximos dias para a população não precisar correr de ceroula.

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