Em fórum em Dakar, líderes africanos defendem independência e integração enquanto potências estrangeiras assistem ao recado nada sutil
Foto: Divulgação

No elegante cenário de Dacar, líderes africanos se reuniram para discutir paz, segurança e soberania — três conceitos simples na teoria e quase ficção científica na prática global. O 10º Fórum Internacional de Dakar abriu com discursos firmes, indiretas nada discretas e um recado geral: talvez, só talvez, a África queira cuidar da própria casa.

O presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, fez questão de lembrar o óbvio que costuma ser ignorado em reuniões internacionais: o continente não está imune às crises globais — muito pelo contrário, paga a conta sem nem ter pedido o prato.

Entre menções a mudanças climáticas, protecionismo econômico e aquele clássico “o mundo está complicado”, veio o ponto central: soberania. Traduzindo do diplomatiquês, algo como “agradecemos a ajuda, mas talvez vocês possam parar de mandar em tudo”.

E o timing do discurso não poderia ser melhor: diante de representantes de países europeus com histórico colonial — aquele detalhe histórico que ninguém esquece, mas alguns fingem que foi só uma fase —, o presidente foi direto ao ponto. Nada de agendas de segurança decididas fora do continente ou exploração de recursos naturais com roteiro estrangeiro.

Sim, porque, segundo ele, a ideia agora é revolucionária: extrair riquezas na África, processar na África e… pasmem… lucrar na África. Um conceito que, dependendo da perspectiva, soa como independência ou rebeldia.

Enquanto isso, o Sahel segue sendo o “episódio especial” que ninguém queria: terrorismo em alta, fronteiras porosas e cooperação regional que, até agora, funciona mais no PowerPoint do que na vida real.

No fim das contas, o fórum deixou uma mensagem clara: a África quer ser protagonista da própria história. Resta saber se o resto do mundo vai aceitar o novo roteiro ou continuar tentando reescrever o script como vem fazendo há alguns séculos.

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