Obra de R$ 3,4 milhões mira ruas da região Sul e reacende esperança de motoristas que já consideravam o rally urbano um esporte oficial em Cascavel

Em um movimento ousado que beira a ficção científica urbana, a Prefeitura de Cascavel assinou nesta quarta-feira (22) a ordem de serviço para pavimentar e recapear duas vias da região Sul da cidade. Sim, pavimentar. Asfalto. Aquela camada preta e lisa que, segundo especialistas, facilita a vida de quem prefere dirigir sem testar a suspensão do carro a cada esquina.

As obras já começaram e contemplam a Rua Academia, entre as ruas Volochen e Vênus, e a Rua Universitária, no trecho entre Oliva e Vênus. Um recorte estratégico da cidade onde, até então, a relação entre motorista e via pública vinha sendo construída à base de fé, habilidade e, em alguns casos, amortecedores novos.

O projeto, elaborado pelo Instituto de Planejamento de Cascavel, prevê 8.638,98 metros quadrados de pavimentação. Traduzindo para a linguagem do cidadão comum, é chão suficiente para finalmente diferenciar rua de trilha off-road. O investimento é de R$ 3,4 milhões, com recursos do Governo do Estado via Paranacidade e apoio político dos deputados Gugu Bueno e Oziel Batatinha, nomes que agora passam a integrar oficialmente o seleto grupo de pessoas associadas à ideia de “asfalto novo”.

A promessa é resolver uma demanda antiga da população da região Sul. Antiga mesmo. Daquelas que atravessam gestões, mandatos e talvez até gerações de pneus carecas. Com a obra, a expectativa é melhorar o tráfego, aumentar a segurança e devolver aos motoristas algo que parecia perdido: a previsibilidade do caminho.

Durante a assinatura, o prefeito Renato Silva adotou um tom otimista e direto ao ponto. Disse que a gestão prefere falar pouco e trabalhar bastante. Uma estratégia interessante, especialmente em um país onde o contrário costuma ser praticado com dedicação quase artística. Ele também reforçou o objetivo de não deixar nenhum palmo de rua sem asfalto, o que, convenhamos, é uma meta ambiciosa em um território onde até o GPS às vezes parece pedir desculpas pelo trajeto.

O pacote inclui ainda o alargamento de trechos considerados críticos, principalmente em ligações entre bairros. A ideia é melhorar o fluxo e facilitar a vida de quem depende dessas vias diariamente, reduzindo aquele clássico cenário em que dois carros se encontram e precisam negociar quem tem mais coragem — ou menos amor ao retrovisor.

Segundo o secretário de Obras, Severino Folador, serão cerca de 4.400 metros de asfalto novo e 1.200 metros de recape apenas na Rua Universitária. Um dos pontos principais é o alargamento da descida que liga o bairro Universitário, intervenção que promete transformar um trecho desafiador em algo minimamente civilizado.

As obras serão realizadas quadra a quadra, com bloqueios pontuais e temporários. Em outras palavras, o transtorno vai existir, mas com organização — um conceito quase revolucionário quando se trata de obras públicas. Em áreas mais sensíveis, como a região da ponte, rotas alternativas serão indicadas para evitar que o caos vire atração turística.

O prazo de execução é de 210 dias. Sete meses para transformar poeira, buraco e resignação em asfalto, sinalização e, quem sabe, até algum orgulho local.

Até lá, a recomendação é simples: atenção redobrada, paciência e, se possível, uma despedida emocional dos buracos mais conhecidos da região. Alguns deles, afinal, já faziam parte da paisagem — e da memória afetiva de muitos motoristas.

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