Em tom que mistura ironia diplomática e uma pitada de “vai que cola”, presidente brasileiro defende prêmio antecipado como atalho para a paz mundial
Foto: Ricardo Stuckert

Em mais um capítulo da série “declarações que parecem piada, mas vêm com carimbo oficial”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que talvez seja hora de acelerar a burocracia internacional e conceder logo o Prêmio Nobel da Paz ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O motivo? Simples, direto e quase mágico: acabar com as guerras no mundo.

A declaração foi feita durante visita a Portugal, onde Lula comentou, com um misto de incredulidade e sarcasmo cuidadosamente embalado, as frequentes falas de Trump sobre seus supostos feitos pacificadores. “A gente vê todo santo dia declarações — que eu não sei se são brincadeira ou não — do presidente Trump dizendo que já acabou com oito guerras e que ainda não ganhou o Nobel”, disse Lula, aparentemente intrigado com essa matemática geopolítica alternativa.

Sem perder a oportunidade de oferecer uma solução digna de roteiro de comédia internacional, o presidente brasileiro emendou: “É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel para o presidente Trump para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai viver em paz, tranquilamente”. Especialistas ainda avaliam se a proposta entra na categoria “diplomacia inovadora” ou “humor de alto risco”.

ONU: muita sigla, pouca solução

Lula também aproveitou para lembrar que o mundo vive hoje seu maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial — um dado nada engraçado, mas que acabou entrando no pacote de críticas à eficácia das instituições internacionais.

Segundo ele, falta alguém — ou alguma coisa — capaz de dizer a palavra “paz” em voz alta e, de preferência, com efeito prático. Uma indireta nada sutil à Organização das Nações Unidas, que, apesar de ter sido criada justamente para isso, anda sendo acusada de falar baixo demais ou, pior, de não ser ouvida.

Defensor declarado do multilateralismo (palavra elegante para “todo mundo conversa antes de brigar”), Lula voltou a criticar unilateralismo e protecionismo, como quem lembra que o mundo não é um grupo de WhatsApp onde cada um decide sair quando quer. Ele também reforçou a cruzada brasileira por mudanças no Conselho de Segurança da ONU — aquele clube seleto onde poucos têm poder de veto e muitos têm dor de cabeça.

“Não é possível que você não tenha nenhuma instituição capaz de contemporizar, harmonizar e acabar com a quantidade de guerras que temos no mundo hoje”, disse, numa frase que mistura indignação legítima com a sensação de que alguém perdeu o manual de instruções da paz global.

Giro europeu e retorno à realidade

A fala ocorreu durante a etapa portuguesa de uma viagem que já levou Lula por Espanha e Alemanha — um tour diplomático que mistura reuniões sérias, discursos ambiciosos e, ocasionalmente, sugestões dignas de stand-up geopolítico.

Após cumprir a agenda em Portugal, o presidente retorna a Brasília, onde provavelmente encontrará um cenário menos internacional, mas não necessariamente menos complexo.

Enquanto isso, o Nobel segue sem resposta oficial à proposta brasileira. Afinal, nem todo comitê está preparado para decidir entre a diplomacia tradicional e a estratégia “premia primeiro, vê o que acontece depois”.

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