Com um alerta laranja que é o puro suco do caos, o Brasil se prepara para chuvas que prometem transformar ruas em rios e árvores em obstáculos de salto ornamental
Foto: Agência Pará

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem um recado para você planejava começar a semana com dignidade e o cabelo impecável: desista. Desde a meia-noite desta segunda-feira (20), um alerta laranja de “perigo” está em vigor para nove estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. É o tipo de aviso que sugere que, se você não tem um bote inflável na garagem, talvez seja melhor ficar em casa assistindo ao mundo acabar pela janela.

O kit de sobrevivência urbana

A previsão é de chuvas que podem chegar a 100 milímetros por dia, acompanhadas de ventos que variam de 60 a 100 km/h — o suficiente para levar embora aquele seu guarda-chuva de dez reais e, de brinde, a placa de propaganda da esquina. O Inmet, com o otimismo de quem já viu de tudo, avisa que há risco de corte de energia, queda de galhos e descargas elétricas.

As orientações são quase um manual de etiqueta para o apocalipse: não se abrigue sob árvores (a menos que queira testar a condução elétrica do seu corpo) e não estacione perto de torres de transmissão. A sugestão de “desligar os aparelhos elétricos” é o toque final de mestre, garantindo que você passe o temporal no escuro, refletindo sobre suas escolhas de vida enquanto a bateria do celular agoniza.

Belém e o troféu de “Veneza Paraense”

Na capital do Pará, a situação saiu do figurino. Belém não só entrou no alerta, como já decretou estado de emergência. Foram mais de 150 milímetros em menos de 24 horas — um volume tão “extremo” que a prefeitura classificou como uma das maiores chuvas da década. Basicamente, choveu o que deveria cair em um mês enquanto você decidia se valia a pena sair para comprar pão.

A prefeitura informou que está limpando bueiros e canais desde o domingo (19), uma atividade que, nesse cenário, parece tentar secar o oceano com um conta-gotas. A Defesa Civil e os Bombeiros estão a postos, prontos para atender famílias e lidar com os “pontos de alagamento”, que é o termo técnico para as novas piscinas públicas não autorizadas que brotaram pela cidade.

Se você mora em uma das áreas afetadas, o conselho é simples: se possível, não saia. E, se sair, não esqueça que, entre um vento de 100 km/h e uma chuva de 100 mm, o único vencedor é o vendedor de capas de chuva na saída do metrô. Boa sorte, você vai precisar.

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