O Grande Escape: Professores do Paraná trocam o giz por Utah e salários de deixar qualquer um “revoltado”
Enquanto você luta com o Wi-Fi da escola, três sortudos partem para os EUA para ganhar até R$ 289 mil e descobrir se a educação americana é tudo aquilo que o ChatGPT diz

CURITIBA – Se você sentiu um tremor na força pedagógica nesta sexta-feira (17), não foi o sinal do recreio. O Governo do Paraná acaba de publicar a lista dos três vencedores do “Reality Show Educacional” mais cobiçado do estado: o intercâmbio para Utah. As professoras Isabeli Rodrigues (Ponta Grossa), Paula Fernanda (Toledo) e o professor Kesley Cassiano (Curitiba) foram os escolhidos para trocar a coxinha da cantina pelo hot dog com mostarda doce nos condados de Tooele e Washington.
A iniciativa, uma parceria que sobrevive desde 2014 entre a Seti e o governo de Utah, serviu para provar que, entre 40 candidatos, apenas três tinham o inglês afiado o suficiente para não chamar o apagador de “blackboard killer” durante as quatro etapas de seleção.
O “Sacrifício” de Ganhar em Dólar
O que mais chama a atenção na jornada desses desbravadores não é apenas o “intercâmbio cultural” ou a “nova visão sobre a educação” — clichês obrigatórios em qualquer aspa oficial. O verdadeiro “propósito” (como diria a selecionada Isabeli) talvez esteja na modesta remuneração anual: algo entre R$ 224,3 mil e R$ 289,1 mil.
É isso mesmo, caro docente que conta as moedas para o café: eles vão ganhar em um ano o que muitos colegas levam uma década para acumular no contracheque paranaense. Mas calma, não é só dinheiro! Eles também ganham plano de saúde, odontológico e — o sonho de qualquer brasileiro que assiste a filmes da Disney — visto de trabalho para o cônjuge e escola pública em Utah para os filhos. É praticamente uma “fuga de cérebros” com patrocínio oficial.
Imersão ou Sobrevivência?
A coordenadora da Seti, Helena Salim de Castro, afirma que o objetivo é “conhecer novas metodologias”. Resta saber se, ao voltarem de Utah, os professores conseguirão aplicar a tecnologia de ponta americana em salas onde o maior avanço tecnológico do ano foi a troca da lâmpada fluorescente que piscava.
A professora Isabeli, com o otimismo de quem já está com as malas prontas para o Oeste Americano, destaca que a ação é importante para “enxergar o futuro”. E que futuro, não é mesmo? Um futuro com montanhas rochosas, neve e uma conta bancária que finalmente fala a língua da dignidade.
A viagem está prevista para julho, a tempo de fugir do inverno paranaense e chegar ao verão americano. Afinal, ninguém é de ferro — e ensinar frações para adolescentes em inglês já é castigo suficiente. Boa sorte aos selecionados; tragam um pouco desse “propósito” (e alguns dólares extras) na bagagem.



