Supercomputador na UEPG: Promessa de ‘outro mundo’ ou conta que não fecha?
Com promessa de revolução na Farmácia e máquinas 100 mil vezes mais rápidas, anúncio do PSD acena com o futuro, mas deixa dúvidas sobre prazos, custos e infraestrutura real

Se você achava que computador rápido era só o que não trava na hora de pagar o boleto, o pré-candidato Sandro Alex veio a público nesta sexta-feira (24) vender uma imagem bem mais impressionante para a turma da Farmácia. O discurso é bonito e cheio de efeito: supercomputadores indianos que vão transformar o setor e colocar as universidades estaduais do Paraná em outro patamar científico. Mas, piá, quando a esmola é demais, o santo desconfia — e no meio político, promessa em ano pré-eleitoral pede um olhar sem filtro.
A parceria com a Índia (via C-DAC) e a Fundação Araucária fala em máquinas 100 mil vezes mais velozes. O plano, que no papel nasceu focado na UEPG, virou uma “festa para todos” e promete atender de uma vez só UEL, UEM, UEPG, Unioeste, Unicentro, UENP e Unespar simultaneamente.
Entre o discurso bonito e a realidade do campo:
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Prazos apertados e montagem em setembro: O discurso cravou que em setembro a empresa paranaense Hi-Mix começa a montagem. Resta saber se o processo de importação, desembaraço alfandegário e adequação física dos prédios vai acompanhar esse otimismo todo ou virar mais uma novela.
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Infraestrutura real nas universidades: Máquina potente não roda em tomada comum e exige refrigeração de ponta, rede elétrica dedicada e equipe técnica altamente especializada. As estaduais, que há anos batalham por custeio básico e reposição de quadros, vão dar conta de manter esses “monstros” rodando sem gargalo?
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O ‘pacotaço’ de promessas: No mesmo encontro, o pré-candidato colocou no mesmo pacote a aceleração das Farmácias do Estado por cadastro digital, piso nacional da categoria (que depende do Congresso, e não do Estado) e obras do SUS. Uma salada de fruta de propostas para agradar a gremistas e colorados do setor.
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Do laboratório para a prateleira: Vender a ideia de que supercomputador atrai indústria farmacêutica no estalar de dedos é bonito no palanque, mas o ciclo de investimento privado exige incentivo fiscal, segurança jurídica e logística — coisas que vão muito além de capacidade de processamento de dados.
A piazada da ciência e da saúde merece investimento de ponta, sem dúvida nenhuma. Mas até ver essa tecnologia rodando de fato nas bancadas de pesquisa — e se traduzindo em remédio mais barato e atendimento mais rápido no SUS —, a população faz bem em manter os dois pés bem fincados no chão.



