Em discurso na Espanha, presidente mistura crítica, autocrítica e indiretas afiadas enquanto plateia aplaude — e o mundo tenta entender se foi aula ou puxão de orelha coletivo
Foto: Ricardo Stuckert

Em viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu não economizar palavras — nem ironia — durante evento progressista em Barcelona. Diante de uma plateia com mais de 5 mil pessoas, Lula basicamente fez o que brasileiro faz melhor: reclamou, explicou e ainda deu conselho não solicitado.

Logo de cara, mandou o recado: ser progressista não é vergonha. Vergonha, aparentemente, é prometer prosperidade e entregar crise em parcelas sem juros — crítica direta ao tal do neoliberalismo, que, segundo ele, “prometeu tudo e entregou nada com brinde de desigualdade” .

Mas o momento mais “gente como a gente” veio quando o presidente deu aquela cutucada interna: disse que a própria esquerda andou virando “gerente das mazelas”. Traduzindo: ganhou eleição com discurso revolucionário e governou com planilha do Excel aberta.

Lula ainda apontou o dedo (metaforicamente, mas com força) para bilionários, dizendo que a tal meritocracia é tipo escada rolante quebrada — só sobe quem já está lá em cima. Enquanto isso, o resto tenta subir a pé… e ainda paga ingresso.

No pacote de críticas, sobrou até para líderes globais, chamados de “senhores da guerra”, por gastarem bilhões com armas enquanto o planeta ainda tenta resolver coisas básicas, tipo… fome.

Entre um discurso e outro, o presidente também alertou: a extrema-direita não é só barulho de internet — é problema real. E, segundo ele, cresce justamente onde promessas não foram cumpridas.

Ao fim, Lula deixou a reflexão: democracia não é só votar e tirar selfie com o dedo sujo de tinta. É garantir comida no prato, hospital funcionando e dignidade — o básico que, pelo visto, ainda está em promoção, mas fora de estoque.

Depois da fala, Lula segue viagem para a Alemanha e Portugal. Já o mundo… segue tentando digerir o discurso — que veio com gosto de crítica, tempero de ironia e uma pitada generosa de “eu avisei”.

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