Enquanto o Tio Sam resolveu cobrar pedágio de 25% nas nossas mimosas e outras cositas mais, o Planalto aciona a Lei de Reciprocidade para não ficar com cara de vina na fila do pão

Brasília – Se você achou que as relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos iam continuar um lôco de bão, pode ir tirando o cavalo da chuva. O bicho pegou nesta quarta-feira (15), depois que Washington resolveu aplicar um tarifaço de 25% sobre os produtos tupiniquins. A medida, que passa a valer no dia 22 de julho, deixou o governo em Brasília fustigado da vida, soltando fumaça pelas ventas e prometendo que essa história não vai ficar de graça.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) soltou uma nota que é puro veneno, classificando o dia do anúncio como um “marco lastimável” na história dos dois países. Para o Planalto, as investigações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) são mais sem pé nem cabeça que conversa de bêbado em terminal de ônibus. O recado foi claro: o Brasil não reconhece essa encrenca e vai reagir no lombo, acionando a nossa Lei de Reciprocidade “imediatamente” e levando a queixa para a Organização Mundial do Comércio (OMC). Se eles acharam que a gente ia aceitar o tapa e ficar quieto, deram com os burros n’água.

“Chuva de canivete” contra o Pix e o desmatamento

Os americanos passaram um ano investigando a nossa vida para concluir que as regras de comércio digital do Brasil, o nosso querido Pix, e até a regulação das redes sociais estão “onerando” os empresários deles. Sobrou bronca até para a proteção de patentes e para o desmatamento ilegal. Mas o governo brasileiro mandou avisar que essas desculpas são uma tremenda babaquice.

“O Pix é um patrimônio do nosso povo, uma tecnologia tesão piá que o mundo inteiro copia”, diz a nota oficial (com um leve tempero nosso, claro). O Planalto bateu o pé dizendo que não vai ceder à ganância de um punhado de “tecno-oligarcas” norte-americanos que agem como se fossem piás de prédio querendo mandar no campinho dos outros. E sobre o desmatamento? O governo lembrou que, desde 2023, botou a fiscalização para correr atrás de infrator e reduziu as motosserras em todos os biomas. Falar que a gente não cuida do mato é querer fazer o brasileiro de areia mofada.

“A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe do nosso combate incisivo aos ilícitos ambientais.”Trecho da nota oficial da Secom

Superávit de dar inveja e o troco no “Plano Brasil Soberano”

Para mostrar que o Tio Sam está sendo é bem do mão-de-finado, o governo jogou os números na mesa. Nos últimos 15 anos, os EUA acumularam uma dinheirama de US$ 424,5 bilhões em superávit comercial conosco. Ou seja: eles lavaram a égua vendendo para nós. Para se ter uma ideia, em 2025, impressionantes 76% de tudo o que veio dos EUA entrou aqui sem pagar um tostão de imposto de importação, com uma alíquota média de dar risada: meros 3,1%.

Agora, com esse “tarifaço” unilateral, o Brasil cansou de ser bonzinho e vai aplicar o Plano Brasil Soberano para socorrer as empresas nacionais que ficarem no prejuízo. Se a ideia de Washington era nos dar um baque, o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Até porque, quem planta vento, colhe tempestade — ou, como dizemos por aqui, quem mexe com vespeiro sempre acaba levando ferroada.

📖 Mini Dicionário Paranaense deste Artigo:

  • Lôco de bão: Muito bom, excelente.

  • Tirar o cavalo da chuva: Desistir de uma pretensão, perder as esperanças.

  • Cospe marimbondo / Fustigado: Extremamente irritado, bravo.

  • Cara de vina: Cara de tacho, expressão de tonto, bobo ou sem reação.

  • Dar com os burros n’água: Fracassar em uma tentativa.

  • Tesão piá: Algo muito legal, sensacional, excelente.

  • Piá de prédio: Pessoa mimada, sem experiência prática de vida ou de rua.

  • Areia mofada: Pessoa sonsa, devagar, preguiçosa ou boba.

  • Mão-de-finado: Pão-duro, sovina, egoísta.

  • Baque: Susto, baque emocional ou prejuízo financeiro inesperado.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.