Ciclone bomba vem aí e o paranaense já prepara a japona para não virar picolé
Enquanto o tempo surta entre o Uruguai e o RS, a gente se benze, tira as cobertas do mofo e reza para a marquise do vizinho não voar na nossa cabeça

Se você achava que o tempo no Sul já estava meio piá do duto, sem saber se esquenta ou se chove, prepare o lombo! A partir desta quinta-feira (6), um sistema de baixa pressão vindo lá do norte da Argentina e do Paraguai resolveu aprontar e pode dar origem ao famoso ciclone bomba. É isso mesmo, bicho! Não bastasse o frio de renguear cusco que já dá as caras por aqui, agora o céu resolveu dar uma de doido e montar uma ciclogênese explosiva para ninguém botar defeito.
O astrônomo Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, explicou o causo sem enrolação: a coisa acontece quando uma massa de ar frio daquelas de congelar até pensamento se choca com uma massa de ar quente. A diferença de temperatura é tão ignorante que a pressão despenca igual cotação de moedinha. Para o ciclone ganhar o selo “bomba” de qualidade, a pressão atmosférica precisa despencar pelo menos 24 milibares em um período de 24 horas. Para quem não sabe, milibar é a medida que os entendidos usam para ver o tamanho do sufoco no ar.
A bagunça maior está prevista para acontecer ali na divisa entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul. Como o ar frio é pesado e metido a valente, ele passa por baixo empurrando o ar quente para cima sem dó. O resultado? Tempestade daquelas de cair o osso da bochecha, com direito a raio, trovão e até granizo para trincar o para-brisa dos apressados. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já deu o aviso: o sarrafo vai cantar entre amanhã e sábado (8).
Nas imagens de satélite, o grosso da ventania vai soprar sobre o Oceano Atlântico, com rajadas que passam fácil dos 100 km/h — ventania de fazer até gaivota pedir arrego. Mas na faixa costeira do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, os ventos vão passar de 60 km/h, o suficiente para derrubar vaso de planta e fazer a piazada sair correndo atrás do guarda-chuva virado do avesso.
Depois que essa bomba de vento for passear em alto-mar, o estrago em terra firme fica por conta da frente fria associada. A massa de ar gelado vai varrer a Argentina e o Sul do Brasil, derrubando os termômetros sem dó nem piedade. Então, vá tirando a japona pesada do armário, preparando o chima ou aquele leite quente caprichado, porque o tempo vai fechar e quem não se cuidar vai passar um frio de trincar as canelas!



