Céu de brigadeiro (e de polícia): Paraná multiplica frota de helicópteros e deixalLadrão sem ter onde se esconder
Com salto de 800% no número de aeronaves desde 2019, forças de segurança ganham reforço tecnológico que vai de câmera infravermelha a massageador cardíaco; malandro que tentar a sorte vai dar com os burros n’água

CURITIBA – Teve uma época, não muito tempo atrás, que se as polícias do Paraná precisassem olhar as coisas de cima, era capaz de terem que subir em cima de um pinheiro ou pegar escada emprestada com o vizinho. Em 2019, a Polícia Militar, a Civil e o Corpo de Bombeiros tinham, juntos, a “vasta” quantia de duas aeronaves à disposição. Era tão pouco que, se um helicóptero estivesse limpando os para-brisas na Capital, o resto do Estado ficava a ver navios — ou melhor, a ver nuvens.
Mas o cenário mudou mais rápido que o clima de Curitiba. Graças a um pacote de modernização e ao Projeto Falcão, a frota policial teve um aumento “ignorante” de 800%. Agora, o céu do Paraná está mais povoado que o calçadão da XV em dia de pagamento.
O governador Carlos Massa Ratinho Junior tratou de avisar que o investimento foi robusto para garantir que as forças de segurança cheguem “a dar com o pé” até nos lugares mais remotos do Estado. “Hoje em dia as aeronaves estão à disposição das forças para qualquer missão e são usadas de maneira constante”, afirmou. A mordomia de antigamente acabou; agora os bichos voam direto.
Tecnologia de “piá do prédio” e bases por todo o Estado
O negócio ficou tão chique que os novos helicópteros da PM parecem saídos de um filme de ficção científica. Esqueça aquela lanterninha velha: as aeronaves do Comando de Aviação vêm equipadas com sistema imageador em HD, câmera de visão noturna e um zoom óptico tão potente que consegue focar uma capivara no Parque Barigui a 15 km de distância. Tem até marcador laser e farol de busca. Se o malandro achar que vai se esconder nas brenhas do mato no meio da noite, vai cair do cavalo: o sistema infravermelho acha o vivente num rastro só.
A estrutura também descentralizou para ninguém ficar “murchando” de esperar o socorro vir de longe. Além de Curitiba e de Cascavel (onde o pessoal já está acostumado com o agito), as bases fixas foram expandidas para o Norte e Noroeste. Há dez dias, inclusive, foi entregue a nova estrutura no Aeroporto Regional de Umuarama. Ou seja, a malandragem do interior perdeu o sossego.
E a Polícia Civil (PCPR) não ficou para trás na rinha de tecnologia. O Grupamento de Operações Aéreas (GOA) agora soma quatro helicópteros. O mais curioso é que a última aquisição veio direto do bolso do crime organizado: uma aeronave apreendida que foi totalmente repaginada com um investimento de R$ 9,7 milhões. O “brinquedinho” passou por uma revisão completa de motor e é o primeiro da corporação com óculos de visão noturna para sobrevoar no breu total.
Como destacou o secretário da Segurança Pública, Saulo Sanson, a meta é dar apoio estratégico para quem está no chão ralando no combate ao tráfico e na fronteira. O recado está dado: tentou a sorte na divisa, o bicho vai pegar.
Bombeiros ganham o “Arcanjo” para salvar os “banhistas tontos”
A grande novidade, porém, vem do Corpo de Bombeiros (CBMPR), que finalmente garantiu a sua primeira aeronave da história. Nada de ficar dependendo de carona. Batizado de Arcanjo 01 (modelo EC130 B4), o helicóptero foi arrendado por R$ 9,1 milhões ao ano.
O bicho é praticamente um hospital voador. Vem com o primeiro massageador cardíaco automático em aeronaves do Paraná, incubadora neonatal ultraleve e até ultrassom portátil. No verão, ele deixa a base de Curitiba e ruma direto para o Litoral. A ideia é dar um suporte “monstro” para o SAMU e a Defesa Civil, diminuindo em até três vezes o tempo de resposta em comparação com as viaturas que ficam presas no trânsito da BR-277.
Seja para apagar incêndio florestal com seu helibalde de 550 litros ou para puxar da água aquele veranista que resolveu entrar no mar depois de comer um quilo de fandangos e tomar gasosa, o Arcanjo 01 promete ser o terror dos imprevistos.
Com a polícia voando alto e enxergando até pensamento no escuro, o recado para a criminalidade no Paraná é claro: ou anda na linha, ou vai levar um “barguio” que não vai saber nem de onde veio.



