Pense num povo que gosta de um parcelado! Cartão de crédito é o grande vilão, mas calote deu uma leve “aliviada” e caiu para 29,8%
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O paranaense até tenta manter as contas em dia, mas a tentação de passar no crédito em “dez vezes sem juros”fala mais alto. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), o indicador de famílias com dívidas bateu recorde pelo sexto mês seguido, atingindo a marca de 82% em julho. Em junho, o índice já estava salgado em 81,6% e, no mesmo período do ano passado, marcava 78,5%.
Apesar do enrosco com os boletos, nem tudo é tragédia. O vivente paranaense tá se virando nos 30 para não virar “piá de prédio” caloteiro: a taxa de inadimplência — que são as contas efetivamente em atraso — deu um “revesgueio” para baixo e caiu para 29,8%. O tempo médio que o pessoal leva para quitar o que deve também deu uma aliviada, caindo para 64,6 dias.

O vilão do orçamento e o truque do carnê

A pesquisa revela que a piada do “passa no cartão” é coisa séria: o roxinho e seus parentes são responsáveis por 85,3% de todo o endividamento. O resto da fatura se divide entre os velhos conhecidos da praça:
  • Cartão de crédito: 85,3%
  • Carnês da loja: 16,1%
  • Crédito pessoal: 13%
  • Financiamento da casa: 9,6%
  • Financiamento do possante: 9%
  • Crédito consignado: 7,1%
  • Cheque especial: 3,4%
Ao todo, o brasileiro compromete quase 30% do orçamento mensal só para pagar o que deve, empurrando as parcelas por mais de sete meses. A CNC lembra que dever não é necessariamente um bicho de sete cabeças, pois ajuda a movimentar o comércio, mas o alerta acende quando o piá não consegue mais honrar o compromisso.

Pobre sofre mais, mas a Selic promete um refresco

A coisa fica mais feia para quem ganha menos. Nas famílias que recebem até três salários mínimos, o endividamento chega a 84,9%, contra 72% daquelas com renda superior a dez mínimos. O calote também pesa mais no bolso de quem ganha menos: 38,5% das famílias mais pobres têm contas atrasadas, ante 15,1% dos mais abastados.
Para tentar amenizar esse sufoco, o Banco Central cortou a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a queda nos juros ajuda a dar uma aliviada no custo dos novos empréstimos e facilita a renegociação, embora o alívio não venha do dia para a noite.
A projeção da CNC, no entanto, é de que o paranaense ainda vai ter que coçar o bolso por mais um tempo: a expectativa é que o endividamento atinja 82,6% até setembro. Mas bah, com um pouquinho de choro e renegociação, até essa fatura acaba caindo!

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