A conta não fecha: CNI crava PIB em 2% enquanto o bolso do brasileiro chora nos juros
Com inflação subindo, Selic de amargar e governo gastando mais do que ganha, a indústria segura as pontas na marra — mas o paranaense sabe que sem pinhão no prato e juro baixo, o ‘voo de galinha’ da economia não sai do chão!

CURITIBA — Pense numa charrete tentando andar com o freio de mão puxado e uma subida íngreme pela frente! É mais ou menos esse o retrato da economia brasileira desenhado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no seu Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22).
A entidade manteve a aposta de que o nosso Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer modestos 2% neste ano. Em bom paranaense: não é uma desgraça completa, mas tá bem longe de ser aquele “baile de formatura” que todo mundo esperava. A economia vai rodando a passo de jabuti, puxada no braço pela agropecuária e pelo petróleo, enquanto o resto tenta não atolar na lama dos juros altos.
A Vaca Torta dos Juros e da Inflação
O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, já mandou a real: o crescimento tá pendurado nas commodities (como a nossa abençoada soja) e em estímulos do governo. O problema é que a tal da “política monetária restritiva” — o nome chique pra essa Selic exorbitante em 14,25% ao ano — tá cortando as pernas de quem quer produzir ou comprar um carrinho novo.
E o estrago vem em cadeia:
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A Inflação subiu o morro: A projeção do IPCA saltou de 4,4% para 5%. O pãozinho, o combustível e a conta de luz continuam pesando no bolso.
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Juros no alto da serra: A CNI esperava que a taxa caísse bonito, mas agora prevê a Selic terminando o ano em salgados 13,75%. Com juro real na casa dos 9,2%, pegar dinheiro emprestado tá custando mais caro que aluguel no Batel.
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Governo gastador: As despesas federais sobem mais rápido que a arrecadação, deixando um déficit primário de R$ 55,3 bilhões e empurrando a dívida pública para 82% do PIB. Ou seja: a máquina pública tá gastando que nem piá mimado em parque de diversões.
Quem Tá Salvando a Lavoura (Literalmente)?
Se o Brasil ainda não foi pro brejo de vez, a culpa é do campo e do poço de petróleo. A CNI deu uma ajeitada nos números por setor, e o panorama é um verdadeiro “resumo do balcão”:
| Setor Econômico | Projeção Anterior | Projeção Atual | O Que Tá Acontecendo? |
| Agropecuária | 1,1% | 1,8% | Safra recorde de soja salvando o dia, mesmo com adubo caro. |
| Indústria Extrativa | 7,8% | 9,1% | O petróleo jorrando solto e imune aos juros altos. |
| Construção Civil | 1,3% | 1,5% | Fôlego no crédito habitacional pra ver se o tijolo sobe. |
| Indústria de Transformação | 0,3% | 0,6% | Respirando por aparelho por causa dos insumos importados. |
| Serviços | 2,1% | 1,9% | Povo endividado e inadimplente parou de gastar no comércio. |
O Perigo que Vem do Mar (e de Washington)
Pra complicar o meio de campo do trabalhador, a guerra no Oriente Médio encareceu o combustível e a energia. Como se não bastasse, as importações de bens de consumo subiram 16% no primeiro semestre. Traduzindo: o produto gringo tá entrando a rodo enquanto a nossa fábrica de calçado e roupa passa sufoco pra pagar a folha.
Pra fechar com chave de ouro, a balança comercial ainda ostenta um superávit bonito de US$ 77,9 bilhões, mas a CNI já ligou o pisca-alerta: se os Estados Unidos resolverem taxar os produtos brasileiros ao longo de 2026, até o nosso milho e a nossa carne vão sentir o baque.
A PERGUNTA QUE FICA:
A CNI tenta ver o copo meio cheio dizendo que a economia não vai encolher. Mas o paranaense que acorda cedo em Cascavel, Maringá ou São José dos Pinhais e vê o preço do mercado subir todo mês se pergunta:
Até quando a gente vai fingir que crescer 2% com juro de 14% é vitória? O agro carrega o piano, a indústria tenta não fechar as portas, e a piazada de Brasília continua torrando mais do que arrecada. Resta saber se até o final do ano o governo ajusta as contas ou se vai deixar o brasileiro pagando a conta do churrasco que nem comeu!



