De tratorzão a motor elétrico e motor de dentista, o paranaense parou de vender só soja e agora tá mandando chip e software até para a Suíça. É mole?
Foto: Grupo Volvo América Latina

CURITIBA – Quem olha pro Paraná e só enxerga lavoura de soja e pinheiro precisa rever os seus conceitos urgente. O paranaense cansou de ser conhecido apenas pelo sotaque com o “R” bombado e resolveu virar o “piá do TI” do mercado internacional. Dados do MDIC, levantados pelo Ipardes, mostram que as exportações de alta tecnologia do Estado movimentaram mais de US$ 3,8 bilhões em 2025. É um salto de 15% em comparação com o ano anterior, provando que a nossa indústria tá mais ligada que rádio de colono.

Claro que o grosso desse dinheirinho todo ainda vem do nosso forte polo automotivo – os tratores, carros e autopeças somaram mais de US$ 2,1 bilhões. Mas o que tá fazendo o povo repiar de verdade é a invasão de produtos inovadores criados aqui. O Paraná virou exportador de remédio, cabo de fibra ótica, motor elétrico e até equipamento médico e odontológico. Só a turma que fabrica esses motorzinhos de dentista e instrumentos de saúde mandou US$ 106,9 milhões para fora, fazendo a alegria de consultórios na Suíça, Estados Unidos e México. Pensou que era só piada? Os caras estão ganhando o mundo!

Câmera “antipedágio” e balança de caminhão nascidas na capital

Para você ver que não é conversa fiada, pegue o exemplo da Pumatronix, uma empresa que nasceu incubada lá no Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) em 2007. Os caras desenvolvem câmeras inteligentes que leem placas de veículos, fazem reconhecimento facial e monitoram rodovias, batendo de frente com as bugigangas importadas.

Toda a inteligência dos softwares é feita em Curitiba – embora os componentes eletrônicos venham de fora porque ninguém é de ferro. Hoje, a empresa já exporta balanças inteligentes para pesagem de caminhões e estações meteorológicas para Portugal, Costa Rica e Argentina. O CEO da empresa, Sylvio Calixto, mandou a real:

“O Brasil tem apenas cerca de 2% de participação no mercado mundial, então ainda existem 98% desse mercado para a gente explorar.”

Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, reforça que esse empurrãozinho do Governo do Estado através das incubadoras é o que faz a diferença para o microempresário não dar com os burros n’água e conseguir competir globalmente.

O “Paraná Competitivo” e o boom das Startups

Toda essa função não aconteceu por acaso. O programa Paraná Competitivo, junto com a Invest Paraná, deu aquele migué bom nos impostos e atraiu uma eito de empresas. Entre 2019 e 2025, o programa ajudou a criar quase 69 mil empregos. As cidades que mais concentram essas indústrias tecnológicas são as seguintes:

Cidade Número de Empresas no Programa
Curitiba 115
Maringá 36
São José dos Pinhais 31
Ponta Grossa 27
Pinhais 25
Cascavel / Campo Mourão 14 (cada)

Além disso, com o programa Anjo Inovador, o governo já injetou R$ 37 milhões no ecossistema de startups. O resultado dessa dinheirama? Nos últimos sete anos, o número de startups paranaenses cresceu mais de 500%, passando da marca de 2 mil empresas.

Ou seja, o paranaense agora, além de tomar o seu bom e velho quentão e reclamar do frio de Curitiba, está desenvolvendo biotecnologia e automação de ponta. Quem diria que o estado do “leite quente” ia virar o estado do “bit quente”? Segura o Paraná!

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.