Da cadeia pro corredor: Carla Zambelli ganha fôlego na Itália após dar um “bota fora” na extradição
A Suprema Corte italiana resolveu dar uma lambuja para a ex-deputada no caso do CNJ, mas o enrosco do “fura-buxo” ilegal ainda promete dar muita dor de cabeça

ROMA – Parece mentira de piazinho, mas é a mais pura verdade. A ex-deputada Carla Zambelli, que estava mofando numa capoeira superlotada nos arredores de Roma desde julho de 2025, ganhou uma colher de chá da Justiça italiana nesta sexta-feira (22). A Suprema Corte de Cassações resolveu dar o cano na decisão anterior e anulou a extradição da brasileira no processo que envolve a invasão do sistema do CNJ.
A notícia caiu como um repostrelo de alegria para a família. O irmão dela, o deputado estadual Bruno Zambelli, largou a finesse de lado e mandou avisar que a soltura foi um verdadeiro “milagre”. A piazada e os parentes já estão juntando os trocos para pegar o rumo da Itália e fazer aquela visitinha de comemoração.
O enrosco ainda não acabou
Se você achou que a ex-parlamentar ia sair faceira da vida, cantando vitória e voltando pro Brasil com as gaiolas cheias de muamba, tire o cavalinho da chuva. O bicho vai pegar no segundo processo, aquele que envolve o trezoitão e a correria armada no meio da rua em São Paulo.
Como o STF mandou tudo num pacotão só, os italianos – que não são bobos nem nada – resolveram fatiar o caso. Ou seja: a extradição pelo crime de porte ilegal de arma de fogo ainda está correndo e não tem data para ser julgada. Zambelli se livrou de uma, mas ainda está com a batata assando na outra.
Nota do Redator: A defesa admitiu que ainda está meio perdida que cego em tiroteio sobre os motivos exatos da anulação, mas desconfia que a corte superior achou uma senhora babaquice (leia-se: erro técnico) na sentença anterior.
Próximos capítulos dessa novela
Mesmo que a Justiça resolva limpar a barra de Zambelli nos tribunais, a palavra final ainda depende de um piazão importante: o ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. Ele terá 45 dias para dar o seu veredito assim que o acórdão for publicado.
Se o ministro resolver fincar o pé e aprovar a extradição pelo caso das armas, vale lembrar que o tratado entre Brasil e Itália (na ativa desde 1993) obriga os dois países a entregarem os viventes procurados.
Por enquanto, Zambelli pode respirar aliviada fora das grades italianas, que estavam mais cheias que o biarticulado da linha Santa Cândida/Capão Raso em horário de pico. A cadeia onde ela estava tem vaga para 272 mulheres, mas estava abrigando 371 — um vucuvuco sem tamanho, agravado pela falta de agentes prisionais para cuidar do gandaiado.



