Turismo diplomático em Washington
Israelenses e libaneses marcam encontro na capital americana para a segunda rodada de negociações, enquanto o resto do mundo aposta quanto tempo dura um cessar-fogo que mal completou uma semana

Se você acha que organizar um jantar de Natal com a família dividida é um desafio, imagine o que a diplomacia em Washington está preparando para a próxima quinta-feira (23). Sob as bênçãos (e a pressão) da Casa Branca, representantes de Israel e do Líbano vão se sentar à mesa para conversar. A notícia veio de uma fonte israelense que, com o otimismo de quem sabe que o anonimato é a alma do negócio, confirmou o encontro nesta segunda-feira (20).
Cessar-fogo no berço e embaixadores no front
A reunião será o primeiro “DR” (discutir o relacionamento) oficial entre os dois vizinhos desde que um cessar-fogo de dez dias entrou em vigor, na última quinta-feira (16). Ou seja: o acordo de paz ainda está na fase de usar fraldas, mas os diplomatas já querem que ele corra uma maratona. Israel será representado por Yechiel Leiter, seu embaixador nos EUA, que terá a missão hercúlea de transformar dez dias de silêncio em algo que não termine em novas manchetes de “última hora”.
Enquanto isso, a Defesa Civil do Líbano observa de longe, provavelmente torcendo para que a conversa em Washington seja mais produtiva do que um debate em grupo de WhatsApp de condomínio.
O toque de Midas (ou de Trump) no Paquistão
Enquanto o Oriente Médio tenta se entender na capital americana, o presidente Donald Trump resolveu que o mapa-múndi precisava de mais emoção. Ele despachou seu vice, JD Vance, para o Paquistão. O objetivo? Conversar sobre o Irã, claro.
Em entrevista ao New York Post, Trump, com sua modéstia característica, afirmou que estaria disposto a se reunir pessoalmente com os líderes iranianos. O único detalhe é que ele impôs uma condição pequena e simples: “se houver progresso”. É o equivalente geopolítico a dizer “eu vou à sua festa, mas só se você garantir que ela será a melhor do ano”.
Agenda cheia e paciência curta
A quinta-feira promete ser o dia oficial da “paz mundial ensaiada”. De um lado, Israel e Líbano tentam manter as aparências em solo americano. Do outro, a delegação dos EUA aterrissa em Islamabad para tentar resolver o que décadas de história não conseguiram.
Se você esperava por uma semana de notícias tranquilas, esqueça. Entre negociações em Washington e voos para o Paquistão, a diplomacia mundial segue operando naquele modo que a gente conhece bem: muito aperto de mão, pouco sono e a esperança de que o cessar-fogo dure, pelo menos, até o café ser servido.



